Polícia timorense não tolera que grupos de artes marciais continuem a causar pânico

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O comandante da polícia timorense, Júlio Hornay, disse hoje que as autoridades não vão tolerar que grupos de artes marciais continuem a causar o pânico entre várias comunidades no país, defendendo uma operação alargada para lidar com o problema.

“A situação suscita preocupação e há que tomar medidas para lidar com estes atos criminosos que têm vindo a acontecer, envolvendo jovens de grupos de artes marciais”, explicou o comandante da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL).

“Os grupos de artes marciais estão a abusar demais”, afirmou. Hornai conta que os grupos atuam ao nível comunitário, com ações de represálias mútuas, contribuindo para que a população em algumas zonas “viva em pânico” e que a situação não pode continuar. “Por isso o comando vai falar com o ministro para fazer uma operação importante para combater este problema que prejudica a nação. O aparelho de Estado, tanto defesa como segurança não vai tolerar mais isto”, disse.

A operação alargada é necessária, explicou, na sequência de vários incidentes de confrontos graves entre grupos de artes marciais que ocorreram nas últimas semanas causando pelo menos um morto, vários feridos e vários detidos.”Tem que ser uma operação coordenada e conjunto, com a PNTL e FDTL mas também as outras autoridades que têm ligação com as artes marciais”, disse. “Estamos perante crimes organizados. Os grupos organizam-se para se atacar uns aos outros.

Os incidentes, que ocorreram nos municípios de Díli, Baucau e Liquiçá, foram o tema dominante do encontro semanal que Hornai manteve hoje com o Presidente da República, Francisco Guterres Lu-Olo. Duas pessoas foram presas e estão em prisão preventiva, devido aos incidentes em Baucau e outros foram investigados e interrogados.O vice-diretor da Fundação Mahein João Almeida – que acompanha em detalhe o setor da defesa e segurança – disse recentemente à Lusa que a monitorização feita pela sua instituição mostra que a maioria dos incidentes violentos do país apontam para o “envolvimento de grupos de artes marciais”.Uma resolução, de julho de 2013, determina a “extinção” dos principais grupos de artes marciais do país, nomeadamente a PSHT, KORK e KERAH SAKTI aplicando ainda a “proibição total da continuação de qualquer atividade de artes marciais dos respetivos membros”.

Esta resolução foi aprovada depois de incidentes em Díli e noutros locais de Timor-Leste envolvendo “grupos de artes marciais, que têm vindo a provocar distúrbios sérios, destruição de bens, mortos e feridos”.

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