O BE considera que o PS procura “uma maioria absoluta ao centro” e que o líder do PSD se assume “já como futuro colaborador de um Governo socialista”, segundo a moção das principais tendências bloquistas à próxima Convenção.

Na moção, subscrita pela coordenadora nacional do BE, Catarina Martins, e a que a agência Lusa teve hoje acesso, é referido que “o poder económico aposta na maioria absoluta do PS e, pelo seu lado, Rui Rio assume-se já como futuro colaborador de um governo PS, num bloco central subordinado“.

De acordo com o texto – intitulado “Um Bloco mais forte para mudar o país” – “assiste-se a uma pressão crescente para recuperar políticas de bloco central e afastar a influência da esquerda”.

“O PS procura uma maioria absoluta ao centro e abre a porta a convergências à direita”, tendo no último congresso realizado “uma viragem do discurso” ao apresentar esta experiência de governação “como um parêntesis na história do partido”, lê-se na moção, que é ainda subscrita pelo líder parlamentar, Pedro Filipe Soares, e pela eurodeputada Marisa Matias.

A “nova relação de forças”, segundo a qual todos os partidos de esquerda apoiam parlamentarmente o Governo minoritário do PS, permitiu, na visão dos bloquistas, “afastar a direita do governo e parar o empobrecimento do país”, tendo o acordo de 2015 demonstrado “a falácia do voto útil” e “alterando premissas persistentes do sistema político”.

Na moção, o BE destaca que, “na ausência de qualquer acordo com a esquerda sobre as matérias europeias, a obediência do PS ao Tratado Orçamental ditou a escassez de investimento público” e deixa uma crítica ao primeiro-ministro: “‘a leitura inteligente’ do Tratado Orçamental, com que António Costa fez campanha, consistiu, afinal, na ultrapassagem das metas de Bruxelas”.

“Mantendo as opções de fundo na legislação laboral e nos privilégios dos setores rentistas, o governo do PS conteve a recuperação de rendimentos do trabalho ao longo da legislatura”, condenam.

Mas, os bloquistas não esquecem PSD e CDS-PP e destacam que “a recuperação de rendimentos do trabalho, salários e pensões, anunciada como uma catástrofe económica pela direita e instituições europeias, foi a maior conquista deste período“.

De acordo com a moção, “a chave para uma governação à esquerda” permanece na reestruturação da dívida e o controlo público dos setores estratégicos da economia portuguesa”.

“Portugal mantém-se refém de uma dívida pública impagável e de um sistema financeiro fragilizado, que permanece um risco para os cofres nacionais e uma oportunidade para os interesses dos capitais estrangeiros”, insistem.

Os bloquistas não se focam apenas nas questões de política nacional e condenam nesta moção, que une as principais tendências do partido, o “belicismo de Trump, o aquecimento global, a deslocação para a direita da política internacional e a desagregação europeia”.

A XI Convenção Nacional do BE realiza-se em 10 e 11 de novembro, em Lisboa, resultando a moção hoje conhecida de um debate interno do partido, que decorreu um pouco por todo o país, sobre os principais eixos estratégicos.

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