O lançamento da OPA tinha sido já noticiado durante a tarde pelo jornal Expresso e surge depois de meses de especulação sobre a possibilidade de a EDP fazer parte de um movimento de consolidação no setor energético europeu. Entre as empresas apontadas como interessadas na elétrica portuguesa estavam a italiana Enel, a francesa Engie e a própria China Three Gorges (CTG).

A China Three Gorges revelou que só lançará a OPA sobre a EDP se o Governo de Portugal não se opuser à operação. O grupo chinês sujeita ainda a concretização do lançamento da operação a várias aprovações, como das autoridades de concorrência portuguesa e europeia. O processo depende também de decisões de ‘não oposição’ de entidades dos Estados Unidos, da Polónia, da Finlândia, de França, Roménia, entre outros países.

A CTG diz que a não oposição do Governo pode ser feita de forma explícita ou implícita, “quer através de uma decisão explícita (do Governo português), quer através da ausência de uma decisão após o termo do prazo aplicável”.

O Governo português não deverá opor-se ao reforço da posição acionista chinesa na elétrica nacional. Em declarações aos jornalistas, António Costa afirmou que não tem “nenhuma reserva a opor” e notou que os “investidores chineses têm sido bons investidores”. No entanto, o Expresso escreve que o Conselho de Administração da EDP poderá classificar a OPA de hostil.

Segundo o anúncio preliminar de lançamento da OPA, divulgado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a China Three Gorges oferece uma contrapartida de 3,26 euros por ação, avaliando, assim, a EDP em cerca de 11,9 mil milhões de euros. A empresa chinesa pretende ficar com mais de 50 por cento das ações.

O Jornal de Negócios nota que o preço oferecido é inferior ao valor que a mesma China Three Gorges ofereceu quando ganhou a última fase de privatização da EDP, em 2011. O contexto é no entanto muito diferente. Na altura, tratou-se de um concurso e várias empresas estavam interessadas, pelo que o preço era um fator decisivo para vencer a privatização.

No anúncio preliminar divulgado na página da CMVM, a China Three Gorges afirma que pretende que a elétrica se mantenha com identidade portuguesa, com sede e cotada em Portugal. A empresa chinesa escreve ainda que procurará manter “uma política de dividendos estável, não abaixo do que foi divulgado no último plano de negócios” da EDP .

A empresa pública chinesa China Three Gorges detém atualmente 23,27 por cento da EDP. Para além deste lote de ações, o Estado chinês detém ainda mais 4,98 por cento do capital da EDP por intermédio da CNIC.

A Capital Group tem 12 por cento do capital e a Oppidum Capital 7,19 por cento. Seguem-se a BlackRock (cinco por cento) e a Mubadala (4,06 por cento). O BCP tem 2,44 por cento do capital da empresa.

Caso a OPA tenha sucesso, a China Three Gorges afirma que “cumprirá a sua obrigação legal de lançar uma oferta pública obrigatória sobre 100 por cento do capital social da EDP Renováveis”. Os chineses oferecem uma contrapartida de 7,33 euros por cada ação, um preço abaixo do valor da última cotação. Os títulos da EDP Renováveis encerraram o dia de negociações nos 7,84 euros.

Na sequência das notícias sobre esta OPA, a CMVM tinha decidido suspender a negociação das ações da EDP e da EDP Renováveis durante a tarde. O regulador anunciou entretanto que decidiu levantar a suspensão, depois de a China Three Gorges ter anunciado oficialmente as OPA sobre a EDP e a EDP Renováveis.

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