Os indicadores de confiança dos consumidores e de clima económico diminuíram “de forma significativa” em março penalizados pela propagação da pandemia da covid-19, de acordo com os dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

“O indicador de confiança dos consumidores diminuiu entre dezembro e março, de forma significativa no último mês, interrompendo o perfil ascendente iniciado em abril (de 2019) e atingindo o valor mínimo desde dezembro de 2016”, sinaliza o INE.

Segundo a informação divulgada hoje, a confiança dos consumidores em março baixou para os -9,9 pontos, dos -8,1 pontos observados em fevereiro.

O indicador de clima económico, por sua vez, que resulta de um inquérito às empresas, diminuiu de forma significativa em março, após ter estabilizado no mês anterior, retrocedendo dos 2,2 pontos (de fevereiro) para os 1,8 pontos, valores próximos dos observados no final de 2016.

“Esta redução teve uma magnitude semelhante à verificada em abril de 2011”, refere o INE.

De acordo com o INE, a informação para o mês de março traduz “em certa medida” a situação atual determinada pela pandemia covid-19, “sendo de esperar que as tendências aqui analisadas, baseadas em médias móveis de três meses se alterem substancialmente nas próximas divulgações”.

O período de recolha dos inquéritos qualitativos para o mês de março decorreu de 02 a 13 de março no caso do inquérito aos consumidores e de 01 a 24 de março para os inquéritos às empresas.

Segundo o INE, a partir do início de março, com a confirmação dos primeiros casos de covid-19 em Portugal, ter-se-ão começado a verificar impactos negativos nas perspetivas das famílias e empresas.

Recorde-se que em Portugal foi anunciado o encerramento das escolas e universidades no dia 11 de março, com efeitos partir do dia 16 de março, tendo sido decretado o estado de emergência no dia 18 de março.

O indicador de confiança dos consumidores resulta da média das respostas a um conjunto de quatro perguntas que o INE faz a uma amostra de agregados familiares, nomeadamente sobre qual a situação financeira do respetivo lar (agregado familiar), nos últimos 12 meses, qual a situação financeira do lar (agregado familiar), nos próximos 12 meses, qual a situação económica geral do país, nos próximos 12 meses, e se o agregado espera gastar mais ou menos dinheiro em compras importantes (como mobiliário, eletrodomésticos, computadores ou outros bens duradouros), nos próximos 12 meses.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 667 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 31.000.

Dos casos de infeção, pelo menos 134.700 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com mais de 363 mil infetados e mais de 22 mil mortos, é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 10.779 mortos em 92.689 casos registados até hoje.

Espanha é o segundo país com maior número de mortes, registando 6.528, entre 78.797 casos de infeção confirmados até hoje, enquanto os Estados Unidos são o que tem maior número de infetados (mais de 124 mil).

A China, sem contar com os territórios de Hong Kong e Macau, conta com 81.439 casos (mais de 75 mil recuperados) e regista 3.300 mortes. A China anunciou hoje 45 novos casos, dos quais 44 oriundos do exterior, e mais cinco mortes, numa altura em que o país suspendeu temporariamente a entrada no país de cidadãos estrangeiros, incluindo residentes.

Em Portugal, segundo o balanço feito no domingo pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 119 mortes, mais 19 do que na véspera (+19%), e registaram-se 5.962 casos de infeções confirmadas, mais 792 casos em relação a sábado (+15,3%).

Dos infetados, 486 estão internados, 138 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

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