“O conservadorismo perdeu a maioria que tinha no Parlamento. PSD, CDS e PCP perderam mandatos e estão reunidas as condições para que Portugal avence em convergência com os valores do século XXI”, afirmou André Silva, que discursava no Museu da Cidade, em Lisboa, após a confirmação da eleição de quatro deputados pelo PAN, três dos quais mulheres.

Para o dirigente do PAN, havia duas maiorias parlamentares “e uma delas caiu, que foi a maioria conservadora, que impediu Portugal de avançar em várias matérias”.

André Silva, que subiu ao púlpito depois do discurso do secretário-geral do PS, António Costa, salientou que o PAN foi a quinta força política nos círculos de Lisboa, Porto, Setúbal e Faro, referindo que o resultado é sinal de que o partido “consolidou-se no sistema político português”.

Apesar disso, salientou que o reforço do número de votos foi feito “a contragosto de todos aqueles que olharam para o PAN como um epifenómeno ou uma moda”.

Questionados pelos jornalistas sobre um possível acordo com o PS, André Silva voltou a frisar algo que já tinha dito em campanha: “O PAN não quer fazer parte da solução governativa”.

“O PS precisa apenas do Bloco de Esquerda ou da CDU e o PAN não conta para a matemática parlamentar”, notou, referindo que isso não impede o partido de fazer avançar propostas, tal como fez na última legislatura.

Sobre a entrada do Chega no Parlamento, André Silva referiu que há “dois partidos representados no Parlamento que trazem ideias perigosas”, o Chega e o CDS-PP, considerando que “o movimento extremista em Portugal teve uma forte redução, por via do CDS ver a sua bancada reduzir de 18 para 5 deputados, mas teve um pequenino reforço de um outro partido que pensa de forma muito idêntica ao CDS [o Chega]”.

Durante o discurso, André Silva vincou que o resultado do PAN mostra que os eleitores “perderam o medo de abraçar projetos políticos diferentes, com visão de longo prazo, livres de talas ideológicas, com respostas corajosas e não compatíveis com a doutrina dominante do desenvolvimento – da direita à esquerda – que se pauta pelo crescimento económico que não olha a meios para atingir os seus fins”.

Os quatro deputados eleitos, asseverou, serão uma voz para impedir a exploração de petróleo no país, para garantir habitação à população sem-abrigo, para combater a violência doméstica e o tráfico de seres humanos e para garantir um Estado de Direito que protege ecossistemas, entre outras questões.

De acordo com o dirigente, o PAN não estará “capturado” pela Confederação dos Agricultores de Portugal – “a padroeira dos ministros da Agricultura” – e estará contra “todos os regimes totalitários”.

“Ao contrário da maioria dos partidos, não prestamos vassalagem à China, porque para nós o dinheiro não vale mais do que as pessoas”, sublinhou.

“O nosso desígnio é continuar a lembrar que, para nós, não há setores intocáveis e que a mudança do paradigma toca a todos. Somos um partido de presente e futuro. Mais importante do que olhar para a esquerda ou para a direita, é seguir em frente, convictos e firmes na transição, na mudança de paradigma na forma como nos relacionamos com os outros e com o planeta”, disse André Silva, no final do seu discurso.

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