Portugal: Eleições Autárquicas 2017

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Em 43 anos de democracia e pela 12.ª vez, cerca de 9,4 milhões de eleitores foram no domingo, 1 de Outubro, chamados às urnas para escolher os seus representantes nas Câmaras Municipais, Assembleias Municipais e Juntas de Freguesia, num total de  12.076 candidatos aos diferentes órgãos autárquicos.

Em Lisboa Fernando Medina perdeu a maioria absoluta, mas garantiu a vitória para o PS. Entretanto, no seu discurso de vitória, Medina declarou que “Qualquer que seja o resultado, nós procuraremos alargar a base política no sentido de termos mais apoio para as políticas que vamos concretizar,” abrindo o caminho para entendimentos com outros partidos, independentemente da efetiva correlação de forças na Câmara Municipal de Lisboa. Contas feitas, Medina garantiu 42,02% dos votos para o PS, conquistando oito de um total de 17 mandatos, seguido pelo CDS-PP (quatro), PSD (dois), CDU (dois) e BE (um).

No Porto, contra as sondagens e os demais partidos políticos, Rui Moreira venceu com maioria absoluta e foi reeleito presidente da Câmara Municipal do Porto. O movimento independente por ele encabeçado e apoiado pelo CDS-PP e o MPT obteve 44,46% dos votos e sete mandatos (de um total de 13). O 2.º mais votado foi Manuel Pizarro (PS) com 28,55% dos votos e quatro mandatos, Álvaro Almeida (PSD/PPM) com 10,39% dos votos e um mandato, Ilda Figueiredo (CDU) com 5,89% dos votos e um mandato e João Teixeira Lopes (BE) com 5,34% dos votos e nenhum mandato.

Com 158 presidências de câmaras municipais asseguradas (em 2013 totalizou 150), o PS já conseguiu superar a melhor prestação de sempre em eleições autárquicas que obtivera em 2013, quando ainda era liderado por António José Seguro.

O PSD e a CDU foram os maiores derrotados nessas eleições autárquicas. Contrariamente ao objectivo traçado – maior número de câmaras, mais mandatos – o líder do PSD foi derrotado em toda a linha, ao ponto de admitir a possibilidade de não se recandidatar à presidência do partido que obteve o seu pior resultado de sempre em eleições autárquicas. Então o PSD ganhou 106 câmaras, 86 conquistadas sozinhas e 20 em coligação com o CDS.  Os comunistas perderam 10 das 34 presidências de câmaras municipais que tinham desde 2013 (nove das quais para o PS e uma para um movimento independente). Entre as perdas sobressaem bastiões históricos do PCP como Almada, Barreiro e Beja.

Pela primeira vez desde as eleições autárquicas de 1976, o CDS-PP de Assunção Cristas superou a votação do PSD na capital, ficando em segundo lugar com 20,57% dos votos e quatro mandatos.

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