Em entrevista à TVI e à TVI24 hoje à noite, Catarina Martins foi confrontada com a posição do primeiro-ministro, António Costa, que na mesma estação, na quarta-feira, rejeitou a possibilidade de vir a formar uma coligação de Governo com os atuais parceiros de esquerda, considerando que tal solução teria sido “mais instável” e “absolutamente impossível”.

“Não tem muito sentido, porque o Bloco foi sempre a força da estabilidade ao longo deste tempo. Todos os acordos e as negociações que fizemos levámos até ao fim, de uma forma muito segura e muito clara, e se houve partido que teve ziguezagues e recuos volta e meia foi o PS, não foi o Bloco de Esquerda”, assegurou.

Catarina Martins foi por diversas vezes questionada sobre as linhas vermelhas para um eventual novo apoio a um Governo do PS e sobre as metas eleitorais do partido, mas nesses momentos nunca quis traçar um objetivo.

Numa altura da entrevista em que era questionada sobre se não sentia responsabilidade, por exemplo, pela situação da saúde por causa da falta de investimento, a líder do BE afirmou que “se o Governo executasse o Orçamento aprovado, o Serviço Nacional de Saúde estaria muito melhor”.

“No afã de fazer números sucessivos de recordes de défice, o Governo tem vindo a adiar despesas que estão orçamentadas, que têm de ser feitas e, portanto, fora do âmbito da Assembleia da República”, criticou.

Lembrando que o BE “foi o primeiro partido no parlamento a chamar a atenção” para este problema, tendo-se criado novas regras sobre a transparência das cativações, Catarina Martins fez uma pergunta, para logo dar duas respostas.

“Dir-me-á: tinha de ser diferente? Tinha. O BE precisa de mais de 10%”, atirou.

Logo no início da entrevista, e a propósito da disponibilidade do partido para renovar o apoio a um governo socialista depois das eleições legislativas de outubro, a coordenadora do BE propôs “um exercício diferente”.

“Às vezes discutimos de mais a formulação do que vai acontecer no parlamento ou no próximo governo, é uma maneira de discutirmos menos o que conta: o próximo governo para fazer o quê? O BE está nesta campanha para discutir qual é o governo que o país precisa”, defendeu.

O que interessa aos bloquistas, prosseguiu, é saber se Portugal vai ter “um governo que aumente de uma forma mais significativa o salário mínimo nacional, que seja capaz de ter uma legislação laboral que responda pelos trabalhadores por turnos”, se vai contratar os 18 mil profissionais de saúde, e se vai responder à habitação e ao aumento das pensões.

Sobre as linhas vermelhas e a necessidade de um acordo escrito ou apenas de “um aperto de mão”, Catarina Martins notou que “a clareza e a transparência é sempre amiga da democracia”.

“E acho que fizemos bem em fazê-lo há quatro anos e julgo que essa é a forma normal, porque um acordo não é um acordo entre partidos, é um acordo com o país, um compromisso com o país”, respondeu.

A deputada bloquista garantiu que “um governo que seja capaz de uma legislação laboral que acabe com o abuso do trabalho temporário, que garanta salários dignos, que respeite quem trabalhou toda uma vida, que seja capaz de um SNS eficaz, de fazer o investimento que tem faltado ao país, é um governo seguramente também do BE”, traçando uma espécie de caderno de encargos para uma nova “geringonça”.

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