“Se o Dr. Mário Centeno acha que não deve debater comigo, então que venha debater com o professor Álvaro Almeida, que foi coautor do programa económico [do PSD] e, portanto, está tão à vontade para discutir o plano económico do PSD como eu e é, de facto, candidato a deputado pelo PSD no Porto”, afirmou hoje Joaquim Miranda Sarmento em entrevista à Lusa.

O também mandatário nacional da campanha do PSD explicou que o partido “teve dois autores ou dois coautores do programa económico”, que foram ele próprio e o professor Álvaro Almeida, da Faculdade de Economia do Porto.

“O ministro Mário Centeno diz que só debate com candidatos e, portanto, até desafiou o Dr. Rui Rio para um debate. [Mário Centeno] não debate diretamente comigo, nem tinha de o fazer, mas diz que não debate comigo e a razão é que não sou candidato a deputado”, frisou na entrevista que será publicada na íntegra na quarta-feira.

“O professor Álvaro Almeida é candidato a deputado. Creio que é o sétimo ou oitavo da lista pelo Porto e o Dr. Mário Centeno creio que é o quinto da lista por Lisboa. Portanto, continuamos abertos a debater os dois programas económicos”, acrescentou.

Na entrevista à Lusa, Joaquim Miranda Sarmento explicou que não é candidato a deputado porque optou pela sua carreira académica.

“Foi uma decisão que tomei há dez anos, queria fazer carreira académica e, por isso, saí do Ministério das Finanças e da UTAO [Unidade Técnica de Apoio Orçamental]. Fiz o meu doutoramento e, neste momento, estou a concluir duas etapas muito importantes depois do doutoramento”, disse.

“Neste momento, só um cargo muito aliciante me fará sair durante alguns anos da academia”, acrescentou.

Questionado sobre se esse cargo seria o de ministro das Finanças se o PSD ganhar as eleições, Joaquim Miranda Sarmento respondeu que “é uma função aliciante”.

“Não me compete a mim fazer essa escolha, mas obviamente é completamente diferente, sobretudo, para alguém que é professor de Finanças e que, mal ou bem, tem procurado desenvolver trabalho nessa área e tem algum pensamento estruturado sobre esses temas, concorde-se ou não depois com ele, é uma função muito mais aliciando do que a de ser deputado”, frisou, salientando que é uma opção sua, “sem desprimor para o papel do parlamento e sem querer desvalorizar o papel dos deputados”.

À Lusa, o também professor de Finanças indicou que, apesar de não conhecer pessoalmente Mário Centeno, tem o “máximo respeito académico e profissional” pelo atual ministro.

“Acho que ele foi um bocadinho deselegante na resposta que deu na terça-feira passada sobre ‘vestir os fatos e os homenzinhos’. Mas, enfim, os momentos de campanha às vezes também geram alguma fricção e, portanto, não lhe levo mal, e o respeito académico e intelectual que tenho por ele, mantém-se”, adiantou.

O ministro Mário Centeno, candidato a deputado pelo PS, mostrou-se hoje disponível para debater com o presidente do PSD, Rui Rio, ou com um candidato a deputado do PSD as previsões macroeconómicas dos programas eleitorais dos dois partidos.

“Se houver algum candidato a deputado do PSD, em particular o Dr. Rui Rio, que queira debater estas questões comigo, não terei nenhuma dificuldade em fazê-lo”, disse Mário Centeno aos jornalistas na sede do PS, no largo do Rato, em Lisboa.

Apesar de se mostrar aberto a discutir com Rui Rio os programas, Mário Centeno assegurou ser “o oposto da fulanização da política em qualquer instância e em qualquer momento”.

O debate público “não deve ser fulanizado, ao contrário daquilo que acabou por ser por quem, na verdade, não tem projeto para apresentar”.

Na quinta-feira da semana passada, Mário Centeno não se tinha mostrado aberto a debater os programas macroeconómicos com Joaquim Sarmento, um dos responsáveis do programa e da área económica do PSD.

O presidente do PSD, Rui Rio, tinha desafiado na terça-feira da semana passada o ministro das Finanças, Mário Centeno, a aceitar debater com o seu porta-voz para as Finanças, Joaquim Sarmento, as contas e modelos económicos dos dois partidos.

Já no domingo, relativamente à “grande confusão” entre Mário Centeno ministro e Mário Centeno candidato a deputado, Rui Rio afirmou que Centeno “aproveita-se em larga medida do facto de ser ministro das Finanças para fazer intervenções que são mais próprias de quem é candidato a deputado, como ele é, neste caso pelo círculo de Lisboa”.

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