Num almoço no International Club of Portugal, em Lisboa, sobre “A Europa e os novos equilíbrios globais”, em que estiveram presentes, entre outros, o ex-líder do PSD Marques Mendes, o atual ‘vice’ Morais Sarmento ou o vice-presidente da Câmara de Cascais Miguel Pinto Luz, Paulo Rangel começou por dizer que há muitos interessados nas questões europeias.

Questionado se a participação de muitos ‘notáveis’ do partido significa que é uma voz importante no PSD, o antigo líder parlamentar admitiu ser “um militante empenhado”.

“Com certeza que sou uma voz do PSD, sou militante empenhado, fui cabeça de lista às europeias, é natural que se venho falar de assuntos europeus isso desperte o interesse, alguns vêm por amizade, outros por interesse”, disse.

Desafiado a responder se a sua pode ser uma voz no futuro do PSD, respondeu: “Sou uma voz do passado, do presidente e do futuro, como todas”.

A propósito da primeira participação do líder do PSD, Rui Rio, em debates, quinta-feira à noite, na SIC, Rangel fez uma apreciação muito positiva do arranque da pré-campanha social-democrata.

“O PSD, em particular o seu líder, neste início de pré-campanha tem estado muito, muito bem, tem veiculado muito bem as posições do PSD e mostrado que o PSD é a única e verdadeira alternativa ao PS e isso também ficou claro ontem [no debate com a líder do CDS-PP]”, afirmou.

Rangel conta juntar-se à campanha em vários momentos, quer à volta nacional quer à de estruturas locais, e manifestou-se confiante de que o PSD possa inverter a tendência negativa apontada pelas várias sondagens.

“Para além de que sondagens são sondagens, exprimem tendências, estou muito esperançado com este arranque que possamos reverter esta situação, é o nosso desígnio e tudo farei para isso”, assegurou.

No almoço, estiveram ainda presentes figuras como o antigo secretário-geral do partido José Luís Arnaut, os antigos governantes do PSD Mira Amaral, Miguel Frasquilho, Paes Antunes, o eurodeputado José Manuel Fernandes, o ex-líder da JSD Pedro Rodrigues, que é também candidato a deputado por Lisboa.

João Montenegro, antigo secretário-geral adjunto, o líder da distrital de Viana do Castelo do PSD Eduardo Teixeira e outras personalidades como o advogado e comentador José Miguel Júdice e António Saraiva, da CIP, foram outras das personalidades que ouviram Paulo Rangel.

Na sua intervenção, o eurodeputado fez uma panorâmica dos principais desafios da Europa, espaço que considera viver uma “crise essencial”, assente sobretudo na desconfiança.

“Passámos da diplomacia de mão à frente para a diplomacia do pé atrás”, ironizou.

Paulo Rangel reiterou o alerta que tem feito para as consequências negativas da saída do Reino Unido da União Europeia, em especial para Portugal.

“O Brexit é uma tragédia para a União Europeia, porventura será já inevitável e imparável (…) Para nós, é uma tragédia geopolítica brutal e pela qual o Governo português fez até agora zero. Não há nada nem no plano económico, nem no dos cidadãos preparado para um ‘Brexit’ que pode ocorrer daqui a mês e meio”, criticou.

O eurodeputado acusou ainda o executivo de, do ponto de vista geopolítico, não ter apostado numa diplomacia multilateral.

“O que devíamos estar a fazer era ser hiperativos na Europa e ter uma diplomacia de geografia variável”, defendeu.

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