A intenção foi explicada no final de uma exposição que Graça Fonseca inaugurou na sexta-feira no Museu Regional de Guadalajara, na véspera da abertura da Feira Internacional do Livro, que tem este ano Portugal como país convidado.

A exposição é dedicada à tradição dos lenços de namorados, juntando bordados recentes reinventados com frases de escritores portugueses, como Herberto Helder e José Luís Peixoto, e alguns panos antigos que preservam esta arte popular portuguesa.

Foi durante a visita guiada que Graça Fonseca manifestou algum espanto pelo facto de alguns dos lenços antigos expostos no México pertencerem às reservas do Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa, e de nunca os ter visto expostos.

“É uma das áreas que queremos valorizar e vamos começar a reunir com os diretores de museus. Temos de fazer um esforço máximo possível para que o que está em reservas em museus esteja visível e mais acessível às pessoas. Cultura é isso”, disse a ministra.

Se os museus argumentarem que não têm vigilantes para mais salas visitáveis com obras das reservas, a ministra responde: “Estou preparada para termos na cultura posições sem sempre necessariamente coincidentes entre todas as pessoas que têm de estar envolvidas neste esforço”.

Na inauguração da exposição, a bordar ‘in loco’ esteve presente um artesão português, Fernando Rei, de Vila Verde, que aprendeu a bordar lenços de namorados quando era adolescente. Atualmente dedica-se apenas a esta arte, recupera desenhos e motivos antigos e novos tecidos de algodão e linho. Um lenço de namorados, com cores garridas e profusamente ilustrado com frases e motivos populares, pode demorar 150 horas a bordar.

Em Guadalajara, antes de participar hoje oficialmente na abertura da feira do livro, Graça Fonseca inaugurou ainda duas outras exposições, dedicadas a Almada Negreiros e a Ana Hatherly, em espaços culturais da cidade.

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