“Tudo faremos para que os projetos possam ser implementados até final deste ano”, referiu, durante uma sessão de apresentação do fundo na Embaixada de Portugal, em Maputo.

“Sentimos que há necessidade de dar resposta às necessidades” e colmatar alguma “frustração” por causa de promessas de ajuda que tardam em chegar, referiu, após três dias de visita à província de Sofala, atingida pelo ciclone Idai em março.

No que toca a Portugal, nunca deixará de estar presente, referiu.

O fundo, no valor de cerca de 1,4 milhões de euros, vai financiar projetos que sejam candidatados até final do mês por organizações não-governamentais de desenvolvimento (ONGD) portuguesas, que podem ter parceiros moçambicanos ou de outros países.

Em 01 de outubro arranca a fase de análise e seleção, sendo que os setores de educação, saúde e segurança alimentar são prioritários, além de uma preocupação acrescida com a componente de redução de risco de catástrofes.

Os projetos serão financiados a 100% e podem ter um prazo máximo de implementação de 24 meses.

Após os movimentos espontâneos de apoio a Moçambique que surgiram em Portugal após os ciclones Idai e Kenneth, e depois do apoio de emergência prestado pelo Estado português, o fundo foi anunciado durante a cimeira entre os dois países realizada em julho, em Lisboa, para que as zonas afetadas não sejam esquecidas na fase de reconstrução.

O fundo reúne uma contribuição financeira do Estado Português (o principal doador) e das seguintes entidades: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Mota Engil, Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Petrogal, Visabeira, Apifarma, Liga dos Combatentes e estão a ser finalizados os trâmites para que a Câmara Municipal de Lisboa também se associe.

O ciclone Idai, que atingiu o centro de Moçambique em março, provocou 604 mortos e afetou cerca de 1,5 milhões de pessoas.

A intempérie provocou cheias intensas que arrastaram aldeias, pontes, estradas e outras infraestruturas, criando lagos gigantescos que levaram semanas a desaparecer.

A cidade da Beira, uma das principais do país, foi atingida pelo Idai, ficou severamente danificada e serviu de palco a uma gigantesca operação de mobilização de meios internacionais para apoio à população.

A destruição atingiu ainda os países vizinhos do Zimbabué e Maláui.

O ciclone Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em abril, matou 45 pessoas e afetou 250.000.

Mais de meio milhão de pessoas ainda vivem em locais destruídos ou danificados, enquanto outros 70.000 permanecem em centros de acomodação de emergência, segundo o mais recente relatório da Organização Internacional das Migrações (OIM), redigido em julho e que alerta para a falta de condições para enfrentar a nova época chuvosa, que começa em novembro.

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