Com uma economia baseada em serviços, um mercado de dimensões exíguas e uma agricultura que luta contra a desertificação e a escassez das chuvas, não podemos ignorar as grandes vulnerabilidades de que padecemos e, por isso, sabemos que não nos podemos deslumbrar com o facto de termos sido graduados como país de rendimento médio”, afirmou Jorge Carlos Fonseca.

O chefe de Estado defendeu que não se perca de vista o facto de a economia cabo-verdiana ser “muito dependente, que ela não consegue absorver parte muito significativa da mão-de-obra, com todas as consequências sociais advenientes”.

Esta situação obriga Cabo Verde a “continuar a contar com a solidariedade internacional”, prosseguiu.

Durante a sua intervenção, Jorge Carlos Fonseca defendeu “uma mobilização acrescida” dos recursos domésticos de Cabo Verde e o desenvolvimento, “através de parcerias público–privadas, de esforços cada vez mais eficazes na luta contra a pobreza, a exclusão social e o desemprego, principalmente o desemprego jovem, e favorecer, por essa via, o crescimento e o desenvolvimento do país”.

“Os constrangimentos ao nível da energia, água, saúde e saneamento, para apenas citar esses, terão de continuar a merecer a atenção devida, para que, a par da criação de indispensáveis infraestruturas, se consiga criar as condições necessárias ao crescimento sustentável da nossa economia”, adiantou.

Para o chefe de Estado, “Cabo Verde, pequeno estado insular e com grande escassez de recursos, no apogeu dos seus 43 anos de independência, orgulha-se de ser um país democrático e de se ter erigido em Estado de direito, construído com o sacrifício e a determinação dos cabo-verdianos residentes no país e no exterior”.

Jorge Carlos Fonseca acredita que Cabo Verde, “ainda que modestamente, possa contribuir para a busca de soluções para importantes problemas que afligem o conturbado mundo dos nossos dias”.

“Para além da estabilidade política que nos tem caracterizado e da construção e consolidação de um regime democrático, a nação cabo-verdiana – que antecedeu a criação do Estado – pode ser considerada um exemplo de convivência pacífica entre gente oriunda de países diferentes, com credos diferentes que se amalgamaram, numa cultura mestiça original, aberta ao mundo e à permuta de valores”, adiantou.

Tal como já tinha anunciado, o Presidente da República de Cabo Verde levou à Assembleia Geral das Nações Unidas o tema da pena de morte, uma prática que exige de todos “uma reflexão mais profunda, cuidada e responsável”.

“É facto que a necessidade de uma nova consciência universal nos suscita a rever os nossos propósitos e motivações de convívio humano, tendo sempre em linha de conta o respeito pela vida e a eminente dignidade da pessoa humana”, disse.

Jorge Carlos Fonseca reiterou na sede das Nações Unidas a sua “absoluta concordância com o apelo à consciência dos governantes, lançado recentemente pelo papa Francisco, no sentido da busca de um consenso internacional pela abolição da pena de morte”.

Um apelo que, como referiu, “para além de inequívoca, firme e pedagógica condenação da pena capital, se manifesta contra as chamadas execuções extrajudiciais ou ilegais, autênticos homicídios que têm sido cometidos”.

“Acreditamos firmemente, em nome da clemência e da prudência, que a pena capital não se revela como instrumento adequado e justo, e nem sequer eficiente, de reposição do direito, tendo em conta as suas insuperáveis condicionalidades e fragilidades”, adiantou.

Para Jorge Carlos Fonseca, “a vida, como valor superior, não pode ser deixada à mercê de julgadores presumivelmente falíveis que, desconhecendo as leis da clemência, se obstinam imprudentemente a assumir ‘o sujo tabardo’ de carrasco, sucumbindo perante a turva luz de uma lei que, enquanto valor relativo, não estará seguramente acima do valor da vida e da ética que a encarna”.

Publicidade