“Durante a governação colonial, a abundante riqueza de recursos de África foi saqueada, carregada e transportada para destinos estrangeiros, incluindo o seu próprio povo, deixando países em estado de pobreza e subdesenvolvidos, e hoje enfrentamos um novo desafio de sermos os importadores de produtos que poderiam ser produzidos domesticamente”, afirmou Ramaphosa.

O chefe de Estado sul-africano, que falava na abertura de um Fórum internacional de Investimentos, em Joanesburgo, sublinhou que “isto coloca pressão sobre os balancetes nacionais domésticos e desvia as prioridades económicas da despesa social pública, que é vital”, referindo a determinação em “reverter esta situação”.

Cyril Ramaphosa, que em fevereiro substituiu Jacob Zuma no cargo e na liderança do partido no poder, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), devido a vários escândalos de corrupção e má gestão pública, sublinhou que “África está a trabalhar no interesse dos seus povos” e a criar o seu “próprio destino”, acrescentando estar “para breve” uma nova era de integração continental com a criação de uma Zona de Livre Comércio que “ligará 1,2 milhões de pessoas e solidificará um mercado estimado em 3 biliões de dólares [2,71 biliões de euros] até 2030”.

“O comércio entre os Estados-membros deverá aumentar entre 15% e 25% até 2040”, indicou.

“Nós queremos produzir a nossa própria alimentação para alimentar o nosso povo, quer seja na forma de chocolate como o fazem no Gana ou qualquer outro tipo de produto alimentar, mas queremos gerar os nossos próprios produtos agrícolas”, salientou.

“Também queremos gerar a nossa própria energia. Devemos contribuir para a nossa própria prosperidade”, declarou.

Ramaphosa considerou que “tem sido um bom ano na consolidação da democracia” no continente, destacando vários processos eleitorais, entre os quais no vizinho Moçambique, onde a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder desde 1975, venceu as eleições de 15 de outubro, apesar das “irregularidades e más práticas no dia eleitoral e durante o processo de apuramento de votos” apontados pela missão de observação eleitoral da União Europeia (UE).

“Cada eleição que se realiza de forma pacífica e reflete a vontade do povo representa mais uma etapa para se alcançar a visão da União Africana de um continente em paz”, declarou.

“Desafia a perceção de que África é um continente instável e de elevado risco para investir e fazer negócios (…) a realização deste fórum é um indicador de que África é uma história de sucesso que está a emergir e da qual os investidores querem fazer parte”, salientou.

Na ótica do Presidente sul-africano “a estabilidade política” em muitos países permitiu desenvolver a indústria e implementar políticas de desenvolvimento “que contribuíram para retirar milhões de pessoas da pobreza absoluta”.

“Por seu turno, isto permitiu atrair níveis de investimento crescentes em infraestruturas, que era necessário para ligar pessoas, produtos e mercados, produção mineira e em setores-chave como agricultura, turismo, manufaturação e tecnologias da informação”, referiu.

Mais de 200 delegados de governos, fundos soberanos, setor privado e intermediários financeiros estão reunidos em Joanesburgo para encontrar formas de “desbloquear o potencial económico do continente Africano”, referiu o chefe de Estado sul-africano.

De acordo com a organização, na iniciativa do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), fundado em 1964, com sede em Abidjan, Costa do Marfim, encontram-se representados 48 países de África e 61 países da Ásia, Europa e Américas.

O primeiro-ministro de Moçambique, Carlos Agostinho do Rosário, presente no encontro de três dias em representação do Presidente Filipe Nyussi, lidera uma delegação que integra o ministro do Comércio, Ragendra da Silva, e o vice-ministro dos Recursos Minerais e Energia, Augusto Fernando.

Em 2017, o Fórum de Investimento do BAD promoveu 40 transações de investimento de cerca de 40 mil milhões de dólares, anunciou a instituição.

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