Em declarações à Inforpress, à margem do Festival-Literatura Mundo, na ilha do Sal, o chefe de Estado cabo-verdiano disse ter “alguma prudência” em tecer comentários e análises, preferindo a “troca de informações com responsáveis dos países membros da Comunidade”, bem como a “articulação dessas posições”.

Jorge Carlos Fonseca disse esperar que a “sabedoria dos guineenses”, que se tem revelado, “particularmente nos últimos tempos, apesar das dificuldades”, mantenha o país “na tranquilidade e nas dinâmicas democráticas”.

“Esperemos que as autoridades guineenses, todas elas, possam, com base na Constituição vigente no país e nos compromissos internacionais, encontrar soluções que vão de encontro às aspirações dos guineenses, que são aspirações à estabilidade institucional e à paz”, afirmou.

O chefe de Estado disse ainda que prefere manter contactos com os seus homólogos lusófonos, a ter que fazer declarações que, de alguma maneira, possam “atirar achas para a fogueira”.

A crise política continua na Guiné-Bissau depois de José Mário Vaz ter recusado por duas vezes nomear para o cargo de primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC, partido mais votado nas eleições de 10 de março.

O vencedor das eleições acabou por indicar Aristides Gomes, nome aceite pelo Presidente, que, no entanto, não nomeou o Governo indicado pelo novo primeiro-ministro até ao dia 23 de junho, violando assim o prazo estipulado pela CEDEAO para o fazer.

Na quinta-feira, a maioria dos deputados da Assembleia Nacional Popular (parlamento do país) aprovou uma resolução que determina a cessação imediata das funções constitucionais do Presidente da República e a sua substituição no cargo pelo presidente do parlamento.

Num discurso proferido sábado durante a cimeira, o Presidente guineense pediu à CEDEAO para tomar uma posição clara e realista em relação à sua continuidade como chefe de Estado guineense.

Em resposta, a CEDEAO ordenou que o novo Governo da Guiné-Bissau tome posse até 03 de julho e que o Presidente José Mário Vaz permaneça em funções até à eleição de um novo chefe de Estado, o que está previsto para 24 de novembro.

Publicidade