O Presidente da República defendeu esta terça-feira, em Bruxelas, durante as Jornadas Europeias de Desenvolvimento, que é preciso homens e mulheres com coragem para exercer uma liderança de transformação para construção de um mundo diferente e multicultural.

Segundo Jorge Carlos Fonseca, está-se num momento em que se verifica o sofrimento de “milhares de famílias desestruturadas e destruídas” por falhas das políticas socioeconómicas e também por vários conflitos em que homens, mulheres e crianças abandonam os seus países à procura de uma vida melhor e em busca da paz.

Nesta ótica, defendeu que, para fazer face à esta realidade, é preciso que emerjam homens e mulheres com coragem para exercerem uma liderança de transformação capaz de abrir os horizontes e encorajar os decisores e os cidadãos a procurarem soluções para a construção de um mundo diferente e multicultural. Isto, sublinhou, num quadro de salvaguarda dos direitos humanos e liberdades fundamentais e da promoção do bem-estar dos povos.

“É construindo e consolidando tais valores e adotando políticas que tenham o homem e o seu habitat como destinatários que será possível travar a gritante desigualdade entre as nações e evitar que muitos dos nossos jovens tenham o mediterrâneo como horizonte”, afirmou o Chefe de Estado de Cabo Verde.

Falando sobre o lema do evento “Abordando desigualdades: Construindo um mundo que não deixa ninguém para trás”, Jorge Carlos Fonseca realçou que o tema “é de grande atualidade” uma vez que as desigualdades sociais podem minar a coesão social e comprometer o desenvolvimento de qualquer país.

A este propósito lembrou que nenhum país, desenvolvido ou em desenvolvimento, está imune às desigualdades sociais, tão pouco aos seus efeitos no bem-estar das populações e na estabilidade da sociedade.

Referiu que Cabo Verde “sempre demonstrou” preocupação com a estabilidade social e tem procurado construir políticas orientadas para diminuir as desigualdades “pouco razoáveis”, apostando na Educação, Saúde e Luta Contra a Pobreza, que são na sua ótica três áreas prioritárias.

No entanto, segundo Jorge Carlos Fonseca, em Cabo Verde o crescimento da economia ainda não atingiu níveis que permitam reduzir a dependência externa e o equacionamento de parte dos problemas sociais, nomeadamente o desemprego jovem.

Para além disso, recordou ainda que outro desafio do país, condicionado pela insularidade e assimetrias regionais, é otimizar as suas potencialidades e inserir-se no processo de desenvolvimento.

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