“Urge fazer um balanço, com serenidade e racionalidade, dos tristes acontecimentos e assacar as responsabilidades. O inquérito exaustivo, da responsabilidade do Governo, sobre todas as ocorrências deverá ser imparcial e célere”, afirma Evaristo Carvalho num comunicado lido pela sua assessora de comunicação, Hélia Fernandes.

Um cidadão são-tomense, Uidumilo Veloso, pastor da IURD há 14 anos na Costa do Marfim, foi preso por denúncias de alegada difamação e calúnias na rede social Facebook contra esta igreja, tendo a sua mulher, grávida, sido deportada para São Tomé.

No dia 09, o parlamento são-tomense ameaçou banir a IIRD do país caso o pastor não fosse libertado e reenviado para São Tomé e Príncipe.

Na última quarta-feira, logo pela manhã, cidadãos vandalizaram as igrejas da IURD em várias localidades do país, culminando na tarde desse dia com o assalto à sede da IURD na capital de São Tomé durante o qual um adolescente morreu.

No comunicado de oito parágrafos, o Presidente de São Tomé refere ser preciso “alterar o paradigma na assunção das responsabilidades cometidas a cada instituição do Estado” e critica as instituições que chamaram a si a resolução do problema do pastor são-tomense preso na Costa do Marfim.

“É o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades que tem responsabilidades próprias que não podem ser assumidas por outras instituições do Estado. Por lei, é a esse ministério que compete fazer diligências junto de outros estados, para a obtenção de informações sobre cidadãos são-tomenses no exterior”, adianta Evaristo Carvalho.

De acordo com o Presidente da República, o país tem conhecido, nos últimos tempos, “um clima de crispação sem precedentes, com exacerbada intolerância, divisão e exclusão de pessoas ou grupos, em função da sua filiação ou simpatia partidária, de causas que defende, ou de opiniões que emite”.

“Esse clima de intolerância e de rejeição do outro é generalizado. Envolve instâncias do poder, da administração e da sociedade em geral. Contam, acima de tudo, os interesses pessoais, de grupos ou partidários, em detrimento dos interesses do país, e do povo como um todo”, lamenta Evaristo Carvalho.

O governante sublinha que a lógica que se instalou no país é a de uma “perversão total da convivência pacífica e harmoniosa entre os cidadãos, e dos princípios determinados pela razão e pela moralidade”.

Para Evaristo Carvalho um dos “corolários dessa lógica perversa” é a descrença do cidadão em relação à disponibilidade dos detentores do poder, “seja político ou judicial, para resolverem os seus problemas”.

“As pessoas não acreditam nas instituições públicas, elas entendem que devem fazer justiça com as próprias mãos e não ficarem à espera das autoridades”, reconhece o Presidente de São Tomé, que entende ser com base nessas “considerações que se deve fazer uma avaliação dos acontecimentos dos últimos dias que culminaram, infelizmente, com a perda de uma vida humana e importantes danos materiais”.

No comunicado, Evaristo Carvalho lamenta a morte do adolescente e expressa condolências à família.

“Urge pôr cobro a esse estado de coisas. As instituições do Estado devem funcionar com eficiência e eficácia, no estrito respeito pela lei, para que os cidadãos nelas tenham confiança e se sintam devidamente protegidos, e que estejam sempre cientes de que as mesmas estão a trabalhar para o bem-estar de todos”, conclui o documento.

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