“Embora com evidências de ressurgimento da violência, temos prosseguido com o diálogo constante com a liderança da Renamo”, disse Filipe Nyusi, falando durante uma cerimónia de receção dos moçambicanos na diáspora no Palácio da Ponta Vermelho, em Maputo.

Filipe Nyusi disse que o executivo moçambicano continua empenhado em garantir o desarmamento do braço armado do principal partido de oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), no âmbito do Acordo de Paz e Reconciliação assinado entre as partes em agosto deste ano.

“Temos prosseguido com o diálogo constante com a liderança da Renamo no âmbito do processo de desmobilização, desmilitarização e reintegração dos guerrilheiros daquela formação política, enquanto procuramos conter a impaciência e a intolerância de alguns compatriotas”, declarou o chefe de Estado moçambicano.

Para Nyusi, a paz é fundamental para o desenvolvimento do país e todos os moçambicanos devem estar envolvidos no processo de pacificação da nação.

“Sem paz não há desenvolvimento”, frisou o chefe de Estado moçambicano.

Em causa estão os ataques que têm sido registados nas províncias de Manica e Sofala, nos dois dos principais corredores rodoviários do país, a EN1, que liga o Norte ao Sul do país, e a EN6, que liga o porto da cidade da Beira ao Zimbábue e restantes países do interior da África Austral.

As incursões, que já causaram pelo menos 11 mortos desde agosto deste ano, acontecem num reduto da Renamo, onde guerrilheiros daquela força política se confrontaram com as forças de defesa e segurança moçambicanas e atingiram alvos civis até ao cessar-fogo de dezembro de 2016.

As autoridades têm responsabilizado guerrilheiros da Renamo pelos ataques, enquanto o principal partido da oposição nega envolvimento e considera estar a cumprir com o acordo de 06 de agosto.

Apesar de oficialmente o partido rejeitar qualquer ligação, um grupo dissidente (considerado “desertor” pela Renamo) liderado por Mariano Nhongo permanece entrincheirado na região, reivindicando melhores condições de desmobilização, exigindo a renúncia do atual presidente do partido, Ossufo Momade, e ameaçando voltar a pegar nas armas caso não seja ouvido.

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