Elias Soda nasceu hoje na cidade da Beira, no centro de saúde de Macurungo, um espaço orçado em cerca de dois milhões de euros doados por portugueses e construído pela Cruz Vermelha Portuguesa que recuperou as instalações antigas que serviram de hospital de campanha durante o ciclone Idai.

“Desejo que o Elias tenha saúde, paz e cresça com alegria”, diz a mãe, e parecem desejos simples, mas não são.

Miquelina Manuel Vasco, 24 anos, dá graças ao trabalho das enfermeiras porque “o parto não foi fácil”, tal como nada é fácil no bairro de Macurungo.

Buracos, lixo, terrenos alagados com a chuva dos últimos dias, cheiros nauseabundos que denunciam a falta de saneamento e muita, muita gente, numa amálgama de zinco e lata, num retrato duro logo à primeira vista.

Mas ao ver o bairro a partir de um centro de saúde renovado e ampliado em sete meses, Miquelina acredita que também pode pensar numa vida de sucesso para o filho que hoje nasceu, no mesmo dia em que Marcelo Rebelo de Sousa se embrenhou pelo Macurungo.

Foi ao centro de saúde e depois ao Hospital Central da Beira, cuja reconstrução após o ciclone Idai também conta com apoio de Portugal, e são obras como esta que deixam o Presidente português orgulhoso.

“Orgulhosíssimo, muito feliz por podermos estar verdadeiramente ao lado de quem precisa, não ao lado diplomaticamente, politicamente ou em termos de comentário distante”, referiu Marcelo Rebelo de Sousa.

É estar ao lado de “obra feita e em tempo recorde”, realçou naquela unidade de números avassaladores: não há outro hospital da mesma capacidade para cobrir os nove milhões de pessoas da região Centro.

Por entre muitas ‘selfies’ e ao lado do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ficou a garantia de que Portugal vai continuar a apoiar as regiões de Moçambique afetadas pelos ciclones em 2019 – através de fundos com os quais o Governo e privados suportam organizações não-governamentais (ONG) que estão no terreno.

Os ciclones Idai e Kenneth atingiram Moçambique em março e abril de 2019, respetivamente, e mataram quase 700 pessoas.

Foi a primeira vez que Moçambique foi atingido por dois ciclones de categoria extrema na mesma época das chuvas.

“Passei aqui três guerras”, mas o Idai, “foi a maior desgraça”, ilustra Carlos Miroto, um dos portugueses residentes na Beira que sofreu com a tempestade e hoje cumprimentou Marcelo.

Perdeu a quinta e uma das casas – depois de já ter perdido a casa dos pais em Portugal durante incêndios florestais de verão – e a reconstrução é lenta, mas, com 72 anos, garante que há sempre esperança.

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