“Ainda há um longo caminho a percorrer na construção e desenvolvimento da nossa democracia e do nosso Estado para garantirmos que o nosso povo expresse e desenvolva a nossa cultura e vontade política, e que continue a afirmar a nossa identidade nacional”, afirmou hoje Francisco Guterres Lu-Olo

“Estas aspirações serão materializadas se conseguirmos garantir a participação democrática dos cidadãos e alcançar resultados económicos e sociais que beneficiem e tragam progresso para todos”, afirmou.

Lu-Olo, que falava nas cerimónias oficiais dos 20 anos do referendo, disse que é necessário mais esforço em áreas múltiplas, desde as forças de segurança à justiça, da descentralização e reforma administrativa.

E em que são necessários “entendimentos e consensos” para responder aos desafios atuais, desde o aumento das receitas não-petrolíferas ao fortalecimento da economia, o combate à má-nutrição e a igualdade de género.

Um longo discurso proferido para uma extensa plateia, incluindo os principais líderes do país, o presidente da Assembleia da República portuguesas, chefes do Governo e ministros de vários países, incluindo Portugal, Austrália, Vanuatu, Indonésia e Cabo Verde, entre outros.

Entre os convidados estava Ian Martin, representante do secretário-geral das Nações Unidas e dois outros dos ex-funcionários que mais acompanharam a questão de Timor-Leste, Francesc Vendrell e Tamrat Samuel.

Um encontro num dia histórico num “local de grande significado histórico”, para recordar o maior feito dos timorenses, afirmou, uma celebração da “coragem demonstrada pela ida às urnas e pelo voto pela independência” do país.

“Este é o dia de reafirmarmos a coragem e dedicação do nosso povo, e de honrarmos a memória e homenagearmos os nossos heróis. É o dia da nossa libertação”, disse.

Recordando vários dos passos da luta e o papel de figuras como Xanana Gusmão e Ximenes Belo, ou o impacto internacional das imagens de Max Stahl do massacre de Santa Cruz, em 1991, Lu-Olo referiu-se ao trabalho da rede clandestina e dos jovens da Resistência Nacional dos Estudantes de Timor-Leste (Renetil), entre eles o já falecido Fernando Lasama de Araújo.

No discurso referências ainda ao “envolvimento de vários grupos de solidariedade em vários países, incluindo na Indonésia”, a fazerem aumentar a pressão que, a par da mudança política em Jacarta, abria as portas ao referendo.

“Destaco especialmente o saudoso Kofi Annan, então secretário-geral das Nações Unidas, e Portugal, como país administrante. Recordo ainda os países de língua portuguesa em África, que asseguraram a retaguarda estratégica da nossa luta diplomática no âmbito da luta pela libertação nacional”, afirmou.

Um esforço conjunto, dentro e fora de Timor-Leste, que levou ao acordo de 05 de maio de 1999, entre Portugal e a Indonésia sob supervisão do então responsável da ONU, Kofi Annan.

“Em nome do povo de Timor-Leste, o Presidente da República toma esta ocasião para publicamente agradecer a Portugal, à Indonésia e à ONU pelos esforços na busca de um caminho que permitiu aos timorenses decidir o seu próprio destino”, afirmou.

E onde se destacou o trabalho de figuras da diáspora, como José Ramos-Horta e Mari Alkatiri, entre outros.

Depois virou-se para dentro, para os heróis nacionais, para os líderes da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin), que declarou unilateralmente a independência a 28 de novembro de 1975 e o seu braço armado, as Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste (Falintil), que seriam depois o braço armado de toda a luta e a génese das atuais forças de defesa.

Base de apoio à luta político-militar que se tornaram escolas de cidadania, “ajudando a fortalecer a solidariedade entre os timorenses e a consolidar a unidade e a consciência nacionalista”.

Depois a reorganização sob comando de Xanana Gusmão, a partir de 1981, a criação anos depois da organização política que quis ser representativa de todos os timorenses, o Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT).

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