A posição foi assumida pelo governante em declarações aos jornalistas à margem da cerimónia de lançamento da segunda fase do projeto Cidade Segura, que vai custar aos cofres do Estado sete milhões de euros, permitindo alargar o sistema de videovigilância da polícia atualmente a funcionar na Praia, com 300 câmaras, a outras três ilhas do arquipélago.

“Vivemos um momento particularmente difícil na Praia, localizado, que não reflete o todo nacional e que não impede que o projeto se estenda também lá onde ainda não temos os problemas que temos”, explicou Paulo Rocha, após uma cerimónia que contou, na Praia, com a presença do diretor da AIECO – Agência Chinesa para a Cooperação Económica Internacional, do Ministério do Comércio da China.

O programa é financiado pela China e implementado com tecnologia da multinacional chinesa de telecomunicações Huawei, custando o alargamento à ilha de São Vicente, sobretudo a cidade do Mindelo, a segundo maior do país, 500 milhões de escudos (4,5 milhões de euros). O alargamento para a ilha do Sal, cidades de Santa Maria e Espargos, representará um investimento de 171 milhões de escudos (quase 1,6 milhões de euros) e para a ilha da Boa Vista, cidade de Sal Rei, 100 milhões de escudos (quase 900 mil euros).

Além das novas cidades que vão passar a ser cobertas por videovigilância, operada por agentes da Polícia Nacional formados para o efeito, esta segunda fase prevê o reforço do sistema que já funciona desde junho de 2018 na Praia.

A ilha de Santiago e em particular a Praia vive um período conturbado de insegurança, com vários crimes violentos, como homicídios e roubos, com recurso a armas de fogo.

Em novembro, após uma reunião com responsáveis pela segurança interna do país, o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, anunciou 14 medidas para combater a criminalidade urbana, entre elas a revisão da lei das armas e o agravamento de penas em caso de reincidência criminal.

“Nós temos problemas vários na Praia, que não são de hoje. Estamos a trabalhar diariamente para conseguir fazer face a esses problemas, mas não temos esses problemas na Boa Vista, no Sal, nem em São Vicente. E nós temos que estar a trabalhar para prevenir. Mais do que prevenir, o projeto [Cidade Segura] visa dar um reforço naquilo que é a eficiência, na capacidade de gestão das ocorrências”, destacou o ministro da Administração Interna.

Durante a cerimónia, o diretor da AIECO, Li Xiaobing, sublinhou o nível das relações entre Cabo Verde e a China, incrementado com a concretização e alargamento deste projeto.

“É o primeiro projeto implementado pelo Governo chinês na África ocidental onde a China financia e a execução é feita pelo beneficiado, o que demonstra que Cabo Verde possui uma alta capacidade de planeamento, de organização e de execução”, destacou o responsável chinês.

Dados avançados pela Polícia Nacional em julho último indicam que o sistema de videovigilância instalado há mais de um ano na cidade da Praia, no âmbito deste projeto, previne entre 40 e 50 crimes por mês.

O sistema, suportado por 300 câmaras em vários pontos da cidade, funciona durante 24 horas e é operado por 32 agentes policiais, com turnos de seis horas cada.

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