O presidente executivo da Galp, Carlos Gomes da Silva, está confiante de que as autoridades moçambicanas estão a tomar as medidas necessárias para controlar a violência em Cabo Delgado, onde a empresa tem projetos para a exploração de gás natural. 

“Há um problema. A dimensão desse problema tem de ser posta em perspetiva. Esse problema tem de ser endereçado. Julgo que estão a ser tomadas todas as medidas para que isso aconteça”, afirmou à agência Lusa em Londres, onde se realizou hoje o Dia do Investidor. 

A Galp possui 10% de interesse participativo, tal como a KOGAS e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique, num projeto de extração de gás natural na bacia do Rovuma, do norte de Moçambique, liderado pela Eni, Exxon Mobil e CNPC, que se espera que comece a produzir em 2025. 

Participa também no empreendimento Coral Sul, pertencente ao mesmo consórcio Mozambique Rovuma Venture (MRV), sendo este operado exclusivamente em mar alto, através de uma plataforma flutuante, onde a produção de gás natural está prevista começar em 2022.  

Além da MVR, a bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, conta com um consórcio dirigido pela Total, que tomou a posição da norte-americana Anadarko, na Área 1.

A extração de gás dos projetos do Rovuma vai funcionar ao largo da costa da província Norte de Cabo Delgado através de tubagens submarinas, sendo a liquefação feita em terra, numa fábrica em construção na nova cidade do gás, que está a ser edificada em Palma, península de Afungi, onde as petrolíferas partilharão infraestruturas.

A exportação de gás da bacia do Rovuma deverá elevar o Produto Interno Bruto (PIB) moçambicano para novos máximos a partir da próxima década.

Os ataques armados na província de Cabo Delgado (norte de Moçambique) eclodiram em 2017 protagonizados por residentes, frequentadores de mesquitas “radicalizadas” por estrangeiros, segundo líderes islâmicos locais, que primeiro alertaram para atritos entre fiéis.

Nunca houve uma reivindicação da autoria dos ataques, com exceção para comunicados do grupo `jihadista` Estado Islâmico, que desde junho tem vindo a chamar a si alguns deles, com alegadas imagens das ações, mas cuja presença no terreno especialistas e autoridades consideram pouco credível.

Os ataques já provocaram pelo menos 350 mortos e 156.400 pessoas afetadas com perda de bens ou obrigadas a abandonar casa e terras em busca de locais seguros. 

Em fevereiro de 2019, um trabalhador de uma empresa subcontratada pela petrolífera Anadarko foi morto, levando o governo moçambicano a reforçar a segurança na região.

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