“A empresa está, de facto, numa situação de insolvência, como os auditores muito bem indicaram nas nossas contas”, afirmou Hélder Chambisse, em entrevista ao semanário Savana.

Chambisse declarou que a petrolífera deve 12 mil milhões de meticais (179 milhões de euros) a bancos, acumulou resultados negativos anuais superiores a três mil milhões de meticais (44,7 milhões de euros) nos últimos três anos e perdeu a quota de mercado, de mais de 50% para 24% atualmente.

A companhia, prosseguiu, viu-se obrigada a cortar os fornecimentos de combustível à transportadora Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), devido a uma dívida da companhia aérea de bandeira no valor de dois mil milhões de meticais (29,8 milhões de euros).

“Neste momento, não estamos a fornecer, diretamente, à LAM”, disse.

Contudo, há mais devedores que não conseguem liquidar os seus encargos à Petromoc, há mais de um ano, frisou Hélder Chambisse.

Com uma participação de 80% na Petromoc, o acionista de referência, Estado, não está em condições de recapitalizar a empresa, devido à magnitude da conjuntura financeira em que se encontra, acrescentou.

Apesar de passar por uma situação financeira “delicada”, o presidente da petrolífera estatal moçambicana está otimista e acredita na eficácia do processo de reestruturação em curso.

“Este ano, estamos com um desempenho razoavelmente bom, contamos ter resultados positivos, se não forem, serão negativos, mas numa escala muito menor do que aquela que tivemos nos últimos anos”, frisou.

Hélder Chmabisse aponta o sucesso da reestruturação da dívida junto dos bancos, a eficiência da rede de postos de abastecimento, a elevação do nível de produtividade dos trabalhadores e o redimensionamento da massa laboral como essenciais para o reequilíbrio das contas da empresa.

O fim do sistema de preços administrados pelo Estado a favor de preços determinados pela dinâmica do mercado e a recuperação da carteira de créditos também abre boas perspetivas para que a Petromo volte a ter robustez financeira, acrescentou Hélder Chambisse.

“A viragem [para a recuperação] já começou há alguns anos, com a redução do prejuízo e, depois, com a clarificação da estrutura ou da atividade da Petromoc, em termos do que fazer, como fazer e qual é a razão destes prejuízos”, defendeu Chambisse.

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