Numa nota da Casa Civil do Presidente da República angolano, João Lourenço, é lembrado que o ora exonerado fora nomeado pelo próprio chefe de Estado em 12 de outubro de 2017.

Trata-se da segunda exoneração por conveniência de serviço operada por João Lourenço, depois de, no dia 02 deste mês, o secretário de Estado da Saúde para a Área Hospitalar, Valentim Chantal Matias, ter sido afastado do executivo e substituído por Leonardo Europeu Inocêncio.

Antes, em 28 de agosto último, João Lourenço exonerou os secretários de Estado do setor dos transportes, o que permitiu reestruturar ambos os pelouros.

Na ocasião, João Lourenço exonerou os secretários de Estado para a Aviação Civil, Mário Miguel Domingues, e para o Transporte Ferroviário, José Manuel Cerqueira.

O Presidente angolano decretou também a alteração da Secretaria de Estado para a Aviação Civil, que passa a denominar-se Secretaria de Estado para os Setores da Aviação Civil, Marítimo e Portuário, atribuindo as funções a António Joaquim da Cruz Lima.

O mesmo se passou com a Secretaria de Estado para o Transporte Ferroviário, que é agora designada Secretaria de Estado para os Transportes Terrestres, tendo João Lourenço nomeado para o cargo Guido Waldemar da Silva Cristóvão.

Em junho deste ano, João Lourenço procedeu à primeira mexida no Governo empossado após ter assumido a Presidência, em 26 de setembro de 2017, ao afastar o ministro dos Transportes, Augusto Tomás Silva, que foi substituído por Ricardo Viegas de Abreu, até então secretário para os Assuntos Económicos do chefe de Estado.

Em 21 de setembro, Augusto Tomás da Silva foi detido em regime de prisão preventiva na Cadeia do Hospital-Prisão de São Paulo, em Luanda, por suposto envolvimento no desvio de fundos do Conselho Nacional de Carregadores (CNC).

A exoneração de Augusto Tomás, antigo ministro da Economia e Finanças de Angola e na tutela dos Transportes desde a presidência do então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, ocorreu em torno de uma polémica sobre uma anunciada parceria público-privada para a constituição de uma companhia aérea.

Na altura, João Lourenço declarou apenas, sem avançar mais pormenores, que a parceria não iria avançar.

“Não vai adiante, não vai sair, não vai acontecer, por se tratar de uma companhia fictícia”, disse João Lourenço.

Sobre o CNC, a Inspeção-Geral do Estado já tinha anunciado este ano que estavam a decorrer investigações por alegada gestão danosa daquele órgão tutelado pelo Ministério dos Transportes.

O Governo angolano, saído das eleições gerais de agosto de 2017, integra cerca de três dezenas de ministros e mais de 50 secretários de Estado.

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