O Presidente são-tomense, Evaristo Carvalho, defendeu hoje uma aposta da ilha do Príncipe no turismo histórico-científico, com a construção de um observatório, que colocaria o país “na rota mundial das observações astronómicas”.

O chefe de Estado intervinha na inauguração do Espaço Ciência Sundy, na roça com o mesmo nome, local onde há exatamente 100 anos um grupo de astrónomos, liderados pelo britânico Arthur Eddington, comprovaram a Teoria da Relatividade Geral do físico alemão Albert Einstein, durante um eclipse total solar.

“Tal como na localidade de Sobral [Brasil, onde outra equipa fez a mesma validação], um monumento alusivo ao acontecimento, um Museu do Eclipse e um Observatório poderiam conferir grande projeção a esta ilha e levar ao incremento do turismo, com impactos positivos nas condições de existência da populações”, considerou o chefe de Estado são-tomense.

Para Evaristo Carvalho, “essa componente histórico-científica traria mais dinamismo à região e colocaria definitivamente São Tomé e Príncipe na rota mundial de observações astronómicas”.

A comemoração de hoje, evocando a validação da teoria sobre a deformação espaço-tempo, comentou, “foi como que o despertar de um sono profundo”, depois de mencionar que só 75 anos depois do chamado ‘eclipse de Einstein’ a população local soube dos acontecimentos.

“Graças a ela, 200 mil habitantes do arquipélago ficaram a conhecer este marco da história das ilhas. Temos de e devemos projetá-lo como um dos ícones do Príncipe, para transmitir aos visitantes nacionais e estrangeiros e às gerações vindouras a importância do acontecimento de 29 de maio de 1919”, referiu.

O Presidente começou a sua intervenção por homenagear as vítimas do naufrágio do navio Amfrititi, que assegurava a ligação entre as ilhas de São Tomé e do Príncipe, a 25 de abril passado, e que fez oito mortos e nove desaparecidos.

“Esse trágico acontecimento veio, em certa medida, ensombrar estas comemorações e que todos gostariam que fosse de orgulho e de festa. Espero que a animação possa contribuir para o conforto dos que perderam os seus entes queridos”, disse Evaristo Carvalho.

Antes, o presidente do governo regional do Príncipe, José Cardoso ‘Tozé’ Cassandra, defendeu que “existe ainda muito a fazer, sobretudo em países como São Tomé e Príncipe, para que o saber e o poder confluam para a felicidade” da população.

“Temos de assumi-lo de forma clara: a formação da vontade coletiva, bem como a mobilização para um empreendimento coletivo, com bases sustentáveis é uma das lacunas dos países como o nosso, onde o poder precisa da ajuda do saber, para a configuração de um projeto de sociedade com mais liberdade, mais solidariedade, mais responsabilidade, mais respeito pelo meio ambiente e menos desigualdade”, sustentou.

‘Tozé’ Cassandra, que chefia o governo de uma ilha que é reserva natural da biosfera da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla inglesa), defendeu a necessidade de “continuar a criar as condições para que o conhecimento produzido seja interiorizado e apropriado por grupos sociais concretos e adotados como instrumentos para desenvolvimentos de projetos de vida das comunidades locais”, com o objetivo de “impedir a destruição dos ecossistemas ou que práticas culturais nocivas contribuam para a extinção de algumas espécies”.

A celebração da validação da Teoria da Relatividade Geral de Einstein, que decorre desde quinta-feira, termina hoje, com a realização de uma videoconferência com Sobral, a apresentação do livro “O Eclipse de Einstein”, da autoria do antigo ministro da Educação Nuno Crato, e observação noturna de estrelas, entre outras iniciativas.

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