O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) disse hoje que está inocente das acusações de nepotismo e favorecimento e acrescentou que vai continuar a trabalhar com todos os acionistas para cumprir a missão do banco.

“Apesar das tentativas sem precedentes feitas por alguns para prejudicar a minha reputação e os procedimentos de governação do banco, mantenho a minha inocência relativamente às alegações inventadas, que de forma injusta tentam impugnar a minha honra e integridade, bem como a reputação do BAD”, escreve Akinwumi Adesina num comunicado enviado hoje à Lusa.

No texto, Adesina diz que tem sido “inundado de um apoio tremendo” e expressa “absoluta confiança na integridade do banco e no seus sistemas, regras e procedimentos de governação”.

O comunicado surge em resposta às notícias dos últimos dias, que dão conta do lançamento de uma investigação independente e externa à gestão de Adesina, na sequência de uma denúncia anónima de funcionários do banco sobre favorecimento e nepotismo, que foi classificada de infundada pelo comité de ética do BAD.

“Continuo confiante que, no final e como um coletivo, o Banco vai emergir mais forte que nunca e continuar a apoiar o desenvolvimento de África”, diz Adesina, garantindo que vai “continuar a trabalhar com todos e cada um dos acionistas para garantir que o BAD mantém a sua reputação global, arduamente ganha, e que os sistemas institucional e de governação são aplicados”.

A resposta do presidente do BAD surge depois de, esta manhã, a agência de informação financeira Bloomberg ter noticiado que a direção do banco decidiu lançar uma investigação externa e independente à gestão de Akinwumi Adesina, na sequência desta exigência feita pelos EUA e apoiada pelos países nórdicos.

De acordo com a Bloomberg, a direção do BAD concordou com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, que defendeu uma investigação externa por ter “profundas preocupações” com o relatório original que ilibou Adesina de favorecimento e de nepotismo na gestão desta instituição multilateral financeira.

Ao pedido dos Estados Unidos juntou-se a Suécia, a Finlândia, a Noruega e a Dinamarca, além de outros países não identificados no artigo da Bloomberg, que cita duas pessoas que conhecem a decisão, que ainda não foi anunciada oficialmente, e que pode obrigar Adesina a afastar-se da liderança do banco até à conclusão do processo.

A Lusa questionou o Ministério dos Negócios Estrangeiros que, juntamente com o Ministério das Finanças, representa o acionista Portugal na estrutura do banco, mas uma fonte do MNE disse que não havia, para já, comentários a fazer.

“Temos profundas reservas sobre a integridade do processo da comissão; ao invés, apelamos a que seja iniciada uma investigação profunda sobre as alegações usando os serviços de um investigador externo, de alto gabarito”, lê-se numa missiva enviada pelos EUA ao presidente da comissão de ética, que ilibou Akinwumi Adesina das acusações feitas por um grupo de funcionários anónimo.

“Considerando o âmbito, a seriedade e o detalhe destas alegações contra o único candidato à liderança do banco nos próximos cinco anos, acreditamos que um inquérito adicional é necessário para garantir que o presidente do BAD tem apoio, confiança e um mandato claro dos acionistas”, disse, numa carta divulgada na segunda-feira, Steven Mnuchin, que representa o maior acionista do banco a seguir à Nigéria.

O presidente do BAD foi acusado por um grupo de denunciantes funcionários do banco de entregar contactos a conhecidos e de nomear parentes para posições estratégicas no BAD, o maior banco multilateral africano.

Depois de examinar as alegações “ponto por ponto”, o comité concluiu que “a queixa não é baseada em nenhum facto concreto e sólido”, de acordo com a conclusão da investigação, que data de 26 de abril, e foi consultada pela agência de informação financeira Bloomberg.

Akinwumi Adesina, de 60 anos, é o único candidato à liderança do banco para os próximos cinco anos, e tem repetidamente negado as acusações de que é alvo por parte do grupo de funcionários do banco, com sede em Abidjan.

As críticas dos EUA, três meses antes da assembleia-geral que escolherá o novo presidente, surgem na sequência dos comentários do presidente do Banco Mundial, David Malpass, em fevereiro, segundo os quais os bancos de desenvolvimento multilaterais, entre os quais o BAD, tendem a dar empréstimos demasiado depressa e, no processo, aumentam os problemas dos países africanos com o endividamento.

O BAD refutou estas alegações e exemplificou que a Nigéria, um dos países citados por Malpass, tinha recebido mais empréstimos do Banco Mundial do que do banco africano, e classificou as declarações como “erradas e sem correspondência aos factos”.

Também nas últimas semanas, o banqueiro tem recebido vários apoios, entre os quais está o do chefe de Estado da África do Sul e presidente em exercício da União Africana, Cyril Ramaphosa, e da antiga Presidente da Libéria Ellen Johnson-Sirleaf, que o elogiaram pelos esforços para garantir financiamento para o combate à pandemia da covid-19, e hoje do ministro das Finanças da Guiné Equatorial.

O BAD é o maior banco multilateral e tem um ‘rating’ de triplo A das três maiores agências de rating – Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch –, tendo como acionistas 54 nações africanas e vários países fora do continente, entre os quais está Portugal e, mais recentemente, a Irlanda do Norte, que anunciou há semanas a sua entrada como acionista.

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