Cipriano Cassamá acabou por adiar o início da sessão para o final da tarde de hoje numa unidade hoteleira de Bissau, devido à falta de condições técnicas e legais no parlamento nacional por causa da greve dos funcionários da instituição.

A sessão teve início às 19:30 (20:30 em Lisboa) com a presença dos 27 deputados do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), 21 do Partido de Renovação Social (PRS) e três da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), num total de 51 deputados.

O hemiciclo guineense tem 102 deputados.

Num discurso proferido na abertura da sessão, Cipriano Cassamá salientou que o programa de Governo deve ser “sufragado pelo parlamento, enquanto órgão de orientação e fiscalização da política nacional”.

“Nesta hora queremos aproveitar a oportunidade para apelar ao Governo para uma realidade atroz das nossas finanças públicas”, afirmou o presidente do parlamento, sublinhando que não se combate os “males sociais” sem recursos económicos e financeiros.

O presidente do parlamento referiu também a apreensão de quase duas toneladas de cocaína e a alegada e “inquietante implicação de altos responsáveis políticos”.

“A voz e a ação desta instituição parlamentar deve ser ouvida e verificada, tanto no apuramento da veracidade dos factos como em sindicância das ações políticas e apoios públicos concedidos à nossa polícia de investigação criminal pelo executivo, tal como as eventuais interferências verificadas nos trabalhos de investigação”, afirmou.

Segundo Cipriano Cassamá, o crime organizado “deve merecer sempre ações de repúdio e combate da classe política e não contar com a sua promiscuidade, o que torna assim imperativo que se apure o nível de envolvimento dos responsáveis políticos do país e consequente responsabilização política e criminal”.

Durante a atual sessão parlamentar, os deputados vão debater também a questão do tráfico de droga no país.

A sessão será retomada segunda-feira na Assembleia Nacional Popular.

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