Presidente dos EUA Donald Trump ofereceu um jantar a nove homólogos africanos para falar de investimentos

Ao afirmar, na quarta-feira dia 20, num almoço com líderes africanos em Nova Iorque, estar interessado em fazer mais investimentos em África “para criar postos de trabalho e oportunidades nos dois lados do Atlântico”, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma ofensiva àquele continente, numa altura em que a China, o Reino Unido e a Alemanha, sem esquecer a França, disputam influência no também chamado “Continente Berço da Humanidade.”

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Durante o almoço, realizado à margem da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), por iniciativa do líder norte-americano, Donald Trump disse aos Chefes do Estado  do Ghana (Nana Akufo-Addo), África do Sul (Jacob Zuma), Nigéria (Muhammadu Buhari), Costa do Marfim(Alassane Ouattara), Etiópia (Mulatu Teshome),  Guiné Conacri(Alpha Condé), Senegal (Macky Sall), Namíbia (Hage Geingob) e  Uganda (Yoweri Museveni) que África “tem um enorme potencial de negócio”, que ele próprio tem “muitos amigos que vão para os vossos países para enriquecerem” e espera que os africanos “também invistam nos EUA.” Donald  Trump acrescentou: Ao ver os líderes africanos, “vejo parceiros na promoção de prosperidade e paz.”

O gesto de Donald Trump  parece ser uma resposta a vozes críticas segundo as quais a política externa da sua Administração para o continente “privilegia a segurança e a cooperação militar e pretende reduzir a ajuda humanitária e aumentar a verba militar destinada a África.” Acontece, também, depois de outras potências ocidentais demonstrarem nos últimos tempos atenção especial por África.

No mesmo dia em que o Presidente Donald Trump almoçava com os seus homólogos africanos, em Maputo, capital de Moçambique, o secretário para o Comércio Internacional do Reino Unido, Liam Fox, dizia esperar que a saída da União Europeia não tenha impacto nas relações comerciais com os países da África Austral.

“Esperamos que não haja impacto nenhum”, disse o responsável britânico no final de uma visita a Moçambique, no âmbito de uma deslocação que também o levou à África do Sul. Em Maputo, Liam Fox reuniu-se com o Presidente Filipe Nyusi e com o ministro moçambicano do Comércio, Max Tonela, com vista à revisão dos acordos comerciais entre Moçambique e o Reino Unido devido ao “brexit”.

O continente africano  também tem ocupado um lugar de destaque na Alemanha, numa altura em que se aproxima o fim da campanha eleitoral para as legislativas de domingo.
O analista Bernd Bornhorst, da Associação de ONG para Políticas de Desenvolvimento (VENRO), disse à agência de notícias Deustche Welle que “ao lermos os programas partidários, vemos que, em geral, há longos parágrafos sobre África.”

A União Democrata Cristã (CDU), partido que governa e grande favorito à vitória nas eleições legislativas de domingo, promete dar continuidade à iniciativa “Compact with Africa”, criada no âmbito do G20 para reforçar o investimento privado no continente.
A CDU diz que apostar no investimento privado é a receita para melhores condições de vida em África. Sobre a política para os refugiados, a CDU pretende estabelecer parcerias de migração com os Estados africanos, a exemplo do Acordo entre a União Europeia e a Turquia.

O Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), outro dos concorrente às eleições legislativas de domingo, propõe-se trabalhar com empresários, igrejas, sindicatos e organizações privadas voltadas para o desenvolvimento e prevê o reforço da cooperação com pequenos agricultores, para que as áreas rurais possam prosperar, e maior fiscalização no Acordo de Parceria Económica entre Bruxelas e os países africanos.

O partido Os Verdes promete renegociar o Acordo de Parceria Económica com países africanos e propõem uma política comercial agrícola e europeia mais justa. Também o FDP e a Alternativa para Alemanha (AfD), partidos que, de acordo com sondagens recentes, têm hipóteses de entrar no Parlamento, abordam questões africanas nos seus programas eleitorais.

O “namoro”  destes países à África, os três pertencentes às sete maiores economias do mundo, acontece numa altura em que a França intensifica a cooperação com países africanos, entre os quais Angola, para a levar a um outro patamar, com base no respeito mútuo e ao que cientistas políticos chamam de “jogo de soma não zero” ou “win-win”, um relacionamento em que todas as partes saem a ganhar.

Ocidente subestimou a influência da China

Os países ocidentais tentam recuperar terreno à China, cuja política externa para África privilegia a parceria económica e que, segundo um relatório da consultora norte-americana Mckinsey & Company, divulgado em Junho deste ano, a sua presença em África foi subestimada.

No estudo da consultora, concluído depois de esta ouvir 100 empresários, líderes de Governos africanos e mil gerentes e proprietários de empresas chinesas em oito países africanos, lê-se que 10 mil empresas chinesas operam em África, quatro vezes mais do que em estimativas anteriores e em mais sectores do que se pensava. Segundo o relatório, na última década, o comércio entre a China e África cresceu em média vinte por cento ao ano e o Investimento Directo Estrangeiro cresceu cerca de quarenta por cento ao ano.
Quase um quarto dos representantes das mil empresas entrevistados pela consultora disse ter tido um retorno do investimento inicial ao longo do primeiro ano e um terço registou lucros de vinte por cento.

O estudo aponta grandes benefícios económicos da actividade chinesa em África, como a criação empregos e o desenvolvimento de competências dos funcionários locais, a transferência de conhecimento e novas tecnologias, e o financiamento e desenvolvimento de infra-estruturas.

A corrupção e a insegurança são as grandes preocupações das empresas chinesas.
Omid Kassiri, director associado da McKinsey & Company, acredita que o fluxo de negócios entre a China e África deve crescer ainda mais nos próximos anos. “Há espaço significativo para um aumento. Actualmente, há cerca de 180 mil milhões de dólares de receitas [das empresas chinesas] nos negócios feitos no continente africano. Acreditamos que este valor pode crescer para 440 mil milhões em 2025”, afirmou.

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