O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, afastou os governadores das províncias de Cabo Delgado, Júlio Parruque, de Niassa, Francisca Tomás, e de Manica, Manuel Rodrigues, anunciou esta terça-feira, em comunicado, a Presidência da República.

A nota não aponta as razões do afastamento, mas os três governadores são cabeças-de-lista da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, nas eleições às assembleias provinciais de 15 de outubro, e, por essa via, candidatos a governadores provinciais.

A “dispensa” dos três governadores, como é descrito o afastamento no comunicado, visa aparentemente permitir que se concentrem na campanha eleitoral.

Para governador da província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, foi indicado como substituto Armindo Ngunga, atualmente vice-ministro da Educação e Desenvolvimento Humano, e para a província de Niassa, no norte, foi apontada Leda Hugo, vice-ministra do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia.

Para a província de Manica, no centro de Moçambique, foi indicada Manuela Rebelo, que ocupa atualmente o cargo de vice-ministra dos Transportes e Comunicações.

Na segunda-feira, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) decidiu, por votação, que os três governadores afastados dos seus cargos podem concorrer como cabeças-de-lista da Frelimo nas assembleias provinciais de outubro, rejeitando uma contestação da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição.

A Renamo considera ilegais as candidaturas dos três governadores e de Judite Massangueia, também da Frelimo, às assembleias provinciais.

Júlio Parruque é cabeça-de-lista à assembleia provincial de Cabo Delgado, Francisca Tomás à província de Manica, Manuel Rodrigues, por Nampula, e Judite Massangueia por Niassa.

Pela primeira vez na história do país, os governadores das dez províncias moçambicanas serão designados através de eleição dos cabeças-de-lista dos partidos ou coligações concorrentes, acabando-se com a nomeação pelo Presidente da República.

A eleição dos membros das assembleias provinciais vai decorrer em simultâneo com as eleições presidenciais e legislativas.

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