Francisco Guterres Lu-Olo falava nas cerimónias do 43º aniversário das Falintil, braço armado da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) e, desde 1987, o braço armado da resistência timorense que a 1 de fevereiro de 2001 foram convertidas nas atuais forças de defesa (F-FDTL).

Num discurso em que homenageou o espírito das Falintil, Lu-Olo defendeu ser necessário, independentemente de pensões ou outros programas existentes, valorizar os ex-membros das Falintil que agora dirigem as F-FDTL e que “brevemente deixarão a vida militar”.

“Tendo em conta a sua longa e valiosa experiência e sabedoria e a sua idade avançada é necessário refletir com urgência sobre como envolvê-los na consolidação das F-FDTL e na construção de Timor-Leste com os valores e princípios da luta, os quais estão consagrados na Constituição da República Democrática de Timor-Leste”, disse o Presidente timorense.

Entre outras medidas, Lu-Olo defendeu a criação de “programas de reinserção social para ex-membros das Falintil e F-FDTL (desmobilizados em 2011 e 2015) que ainda dispõem da capacidade necessária para melhorarem a sua vida e a da sua família”.

Lu-Olo propôs ainda a criação de uma unidade especial em todos os hospitais municipais “direcionada para os veteranos e combatentes da Libertação Nacional e familiares”.

O Presidente defendeu a formação a nível municipal de uma equipa responsável por organizar as comemorações do aniversário das Falintil, fazer o levantamento de dados junto de ex-combatentes e indicar “de que forma é que o Estado pode apoiar projetos que visem a melhoria do seu bem-estar, com base em iniciativas dos próprios ex-combatentes”.

O chefe de Estado considerou necessário acelerar o “mapeamento dos locais de interesse histórico em todo o território”, alargando uma iniciativa que já foi feita em Díli e que pode ser “extremamente importante para a promoção do turismo histórico”.

Sobre o Serviço Cívico Nacional, Lu-Olo apoiou uma proposta já avançada pelo antecessor e atual primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, e que considerou importante “para que as gerações jovens mantenham aceso o espírito das Falintil”.

“Este programa permitirá aos jovens adquirir o sentido de hierarquia, o espírito de disciplina e de dedicação, enquanto lhes ensina a amar e a defender os interesses do povo e do Estado”, disse.

“As entidades relevantes do Estado, com o apoio do Conselho Estratégico Militar, devem identificar as necessidades das Forças Armadas e realizar uma ação de recrutamento com base nestas necessidades”, acrescentou.

Perante as principais individualidades do país, Lu-Olo recordou a força histórica da Falintil, cujo nome continua a fazer parte das F-FDTL como “ponte entre o passado glorioso e os dias de hoje” e para recordar “o espírito” dos antigos guerrilheiros timorenses.

Lu-Olo, que como chefe de Estado é o comandante supremo das F-FDTL, pertenceu às Falintil, lutando contra a ocupação indonésia até ao seu final, em 1999.

“Como político e também guerrilheiro, pude assistir, ouvir e sentir os gemidos do nosso povo nas montanhas, embebidos de coragem e determinação, durante 24 anos”, lembrou.

Lu-Olo saudou os esforços feitos até aqui para apoiar os veteranos e combatentes da luta pela libertação, incluindo a recente aprovação do decreto que cria o Conselho dos Combatentes da Libertação Nacional.

Os veteranos do país recebem ainda apoio financeiro do Estado, num valor que rondará, este ano, os 100 milhões de dólares.

Publicidade