A Rede de Sistemas de Alerta Antecipado de Fome (rede Fews, sigla inglesa), que agrega organizações norte-americanas, manteve hoje um prognóstico de dificuldades e crise alimentar no sul e extremo norte de Moçambique para os próximos sete meses.

Se a assistência alimentar não for suficiente, “na maior parte da região sul, onde a atual época agrícola foi afetada por uma seca ligada ao fenómeno El Niño, é provável que a colheita fique significativamente abaixo da média”, refere-se no relatório de hoje.

Como resultado, “na região Sul, provavelmente os agregados familiares pobres não conseguirão satisfazer as suas necessidades alimentares mínimas” e terão que “reduzir a frequência e quantidade de refeições, depender de alimentos menos dispendiosos, pedir comida a parentes e consumir alimentos silvestres menos recomendados”.

Faixas da zona sul vão enfrentar riscos de insegurança alimentar de nível três, classificada como “crise” numa escala da rede Fews que vai de um (sem riscos) a cinco (fome).

A situação pode melhorar para o nível dois (ou seja, “dificuldades”) depois de maio, como resultados de novas colheitas e baixa de preços sazonais, tornando os mercados mais acessíveis, mas em setembro prevê-se o regresso do cenário de crise.

Segundo o prognóstico hoje publicado, a província nortenha de Cabo Delgado vai enfrentar os mesmos níveis de risco devido ao abandono de aldeias e campos na sequência de ataques armados contra a população.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estimou na última semana que dois milhões de moçambicanos venham a sofrer de insegurança alimentar severa no país, até final de março, um agravamento em relação ao último ano.

A província de Gaza, sul de Moçambique, está a ser a mais afetada, à semelhança de anos anteriores.

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