O porta-voz do projeto, Kikas Machado, explicou, ontem, ao Jornal de Angola, que existe já um calendário rotativo aprovado na conferência de 2017, realizada em Portugal. “Embora a bienal tenha surgido como espaço de promoção e interação cultural, é importante uma maior promoção do debate entre os próprios jovens criadores”, disse, além de lamentar o facto de o alargamento para outras áreas do saber implicar a alteração do regulamento da bienal.

Porém, acrescentou, o assunto, pela sua abrangência, volta a ser debatido na próxima conferência de Ministros da Juventude e Desportos da CPLP, a ser realizada em Cabo Verde. “O tema já é do conhecimento de todos os países membros. A intenção é dar também oportunidade aos jovens criadores de outras áreas, além dos artistas, de mostrarem o seu potencial, dentro das políticas direcionadas à juventude e assim tornar a bienal muito mais abrangente”, explicou.

A IX edição, que foi aberta no dia 24 e encerrou no do-mingo, no Museu de História Militar, em Luanda, explicou, ficou marcada pela presença regular de jovens, interessados em conhecer mais da cultura dos países convidados.

Além das visitas, outro aspeto de realce para Kikas Machado, foram as atividades, em especial o seminário sobre “Literacia cibernética” e “Empreendedorismo social”, promovido pelo Conselho Nacional da Juventude, e a participação ativa dos movimentos e associações artísticas de Luanda, com destaque para o Lev’Arte e a Brigada Jovem de Artes Plásticas (BJAP).

Para o representante da BJAP durante a bienal, Adão Mussungo, foi bom ter tido contactos com outros jovens artistas, em especial no domínio do intercâmbio e na criação de futuras parcerias. “A bienal foi uma porta aberta para a coesão e a inclusão social, assim como um espaço oportuno para a exploração da criatividade.”

Turismo cultural

A maioria das delegações convidadas para a bienal começou a regressar aos seus países no domingo à noite. Mas, ontem, a organização traçou um roteiro cultural especial até a vila da Muxima, a 130 quilómetros de Luanda, às delegações de Moçambique e Portugal, cujas viagens de regresso estão marcadas para hoje.

A bienal, destacou Kikas Machado, também teve o objetivo de incentivar o turismo, dando a conhecer, às delegações visitantes, os sítios e monumentos históricos do país. “Ao longo do passeio, os jovens vão ser informados sobre a histórica vila da Muxima, construída entre 1641-1648, que é um monumento nacional desde 1924”, disse.
A vila da Muxima foi ocupada pelos portugueses em 1589, que, depois de dez anos, construíram no local a Fortaleza e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, hoje, o Santuário de Nossa Senhora da Muxima, onde milhares de peregrinos vão, sobretudo, em Setembro.

Agradecimentos

O último dia da Bienal foi marcado por vários momentos. A mensagem de gratidão dos Jovens Criadores da CPLP foi lida pela responsável da delegação de Cabo Verde, Luhena Correia de Sá, que agradeceu os esforços do Executivo angolano na criação das condições para a atividade e hospedagem das delegações.

Apesar de reconhecer as dificuldades enfrentadas pelos jovens na consolidação dos seus projetos artísticos na comunidade, reconheceu a capacidade de superação dos participantes desta edição.

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