O Partido da Renovação Social da Guiné-Bissau (PRS) manifestou-se hoje contra o reforço da força de interposição da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e anunciou que haverá resposta adequada das Forças Armadas do país.

Em conferência de imprensa, Sola Nquilin, antigo ministro e atual deputado, frisou que o seu partido “jamais permitirá que a soberania da Guiné-Bissau seja beliscada” e muito menos que o povo “volte a ser subjugado”.

“O Partido da Renovação Social garante inequivocamente que as nossas gloriosas forças armadas republicanas não se deixarão intimidar e saberão, como sempre, dar respostas adequadas a qualquer entidade ou forças invasoras estrangeiras que ousarem atravessar as nossas fronteiras”, disse Nquilin, lendo um comunicado.

Segundo disse, a vinda de qualquer força militar só pode acontecer com o aval do Parlamento e do Presidente da Guiné-Bissau, na sua qualidade de comandante supremo das Forças Armadas.

“Chegou a hora de dizer basta à tentativa de transformar a pátria de Amílcar Cabral em palco de disputas antagónicas, motivadas por inconfessáveis interesses económicos geoestratégicos de quem quer que seja”, observou o dirigente do PRS.

De acordo com Sola Nquilin, a CEDEAO pretende reforçar a sua presença na Guiné-Bissau com mais três batalhões de soldados da Ecomib (Força de manutenção da paz de países daquela comunidade), num total de 1.800 mil militares, desta vez com “mandato de guerra”.

Sola Nquilin afirmou que o estacionamento de qualquer elemento do novo contingente da Ecomib numa zona do território da Guiné-Bissau será considerado “declaração de guerra” contra as forças armadas do país.

Neste momento a Ecomib tem na Guiné-Bissau, desde 2012, cerca de 600 soldados, cuja missão é proteger as principais figuras e instituições do Estado guineense.

Para o PRS, “não existem memórias de tão brutal, cínica e de tamanha humilhação semelhante a esta que a CEDEAO pretende pela primeira vez implementar na Guiné-Bissau”.

O partido, liderado por Alberto Nambeia, também criticou o embaixador dos Estados Unidos de América por se “ingerir sistematicamente nos assuntos internos da Guiné-Bissau” e ainda considerou que o Presidente da Guiné-Conacri, Alpha Conde, não serve para ser o mediador da crise política guineense.

A Guiné-Bissau realiza eleições presidenciais em 24 de novembro num momento de tensão política, depois de o Presidente ter demitido o Governo de Aristides Gomes, saído das legislativas de 10 de março, e nomeado um outro liderado por Faustino Imbali.

Grande parte da comunidade internacional opôs-se a estas decisões e a CEDEAO exigiu a demissão de Imbali, sob pena de impor “pesadas sanções” aos responsáveis pela instabilidade política.

Imbali acabou por se demitir na sexta-feira, pouco antes de serem conhecidas as decisões dos chefes de Estado da CEDEAO, que decidiram reforçar a presença da força de interposição Ecomib no país e advertir o Presidente guineense, José Mário Vaz, de que qualquer tentativa de usar as forças armadas para impor um ato ilegal será “considerada um golpe de Estado”.

No sábado, chegam a Bissau seis chefes de Estado da CEDEAO para dar a conhecer as decisões da cimeira ao Presidente José Mário Vaz e avaliar a situação no país.

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