O presidente do PSD afirmou hoje ser sua vontade viabilizar ao Governo uma proposta de Orçamento suplementar para este ano destinada a responder à crise económica, dizendo mesmo que politicamente terá grande latitude para a aceitar.

Esta posição foi transmitida por Rui Rio em entrevista à RTP, depois de confrontado com o cenário de o Governo apresentar uma proposta de Orçamento retificativo para este ano, hipótese que afastou, desde logo do ponto de vista técnico.

“Não vai haver orçamentos retificativos de certeza absoluta, garanto-lhe que não vai haver orçamentos retificativos. Vai haver orçamentos suplementares”, contrapôs o líder social-democrata, economista de formação académica.

Rui Rio justificou depois que a apresentação de um Orçamento retificativo, “como o nome indica, é para retificar qualquer coisa” e um Orçamento suplementar “é para acrescentar, e forte”.

“Portanto, vai haver Orçamento suplementar. É absolutamente inevitável. Eu não vou passar um cheque em branco [ao Governo]. Apesar de toda esta solidariedade, não vou passar cheques em branco ao Governo. Mas eu quero viabilizar”, frisou.

Neste ponto, o presidente do PSD foi ainda mais longe, dizendo que pretende viabilizar essa eventual proposta do executivo.

“Quero que o Governo apresente um Orçamento suplementar que seja viabilizável, porque tem de ser. E vamos ter uma latitude muito grande para aceitar o Orçamento suplementar”, declarou.

Deixou, no entanto, uma ressalva: “Não vamos aceitar tudo e mais alguma coisa – aí, também, calma”.

“Vamos manter o rigor agora, sabendo nós que o rigor é um rigor de dar muito dinheiro a muita gente, mas tem de ser”, acrescentou.

Na parte inicial da entrevista, o presidente do PSD procurou explicar o seu posicionamento político face ao Governo, num momento em que se tomam medidas drásticas para combater o surto do novo coronavírus.

“Temos de perceber que neste momento fragilizar o Governo é fragilizar o nosso combate. E, portanto, nós temos de pôr de lado essa lógica de oposição. Se quiser, nós devemos ser oposição, mas é oposição ao vírus. E devemos ser todos oposição ao vírus, e não agora oposição uns aos outros”.

Neste ponto, o líder social-democrata alegou que “é preciso ter noção de que fragilizar o Governo é fragilizar o combate” à pandemia da covid-19, fazendo então mesmo uma comparação com o comportamento desejável por parte de uma força militar na linha da frente de uma guerra.

“Não quer dizer que não se façam reparos [ao Governo], mas nós temos de ter unidade nacional. Se neste momento os parceiros sociais, os partidos e todos aqueles que têm voz pública começarem a criticar o Governo e tudo uns contra os outros, então nós vamos perder isto e entrar no caos”, advertiu.

Rui Rio insistiu depois que é “oposição ao vírus”.

“Relativamente ao Governo e a todas as demais forças políticas ou não políticas em Portugal, eu sou colaboração, como acho que dez milhões de portugueses devem ser colaboração”, argumentou o presidente do PSD.

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