“Foi um período atípico e as lições aprendidas durante a resposta aos eventos extremos registados na presente época servirão de ponto de partida para a reestruturação do nosso mecanismo de coordenação e gestão do risco de desastres”, disse a diretora-geral do INGC, Augusta Maita, durante uma conferência de imprensa em Maputo.

De acordo com a diretora do INGC, a última época chuvosa foi a pior entre as últimas quatro, tendo em conta que, desde a época 2012/2013, o número de óbitos variava entre 63 e 161.

Além dos ciclones Idai e Kenneth, que isolados causaram 648 óbitos e afetaram cerca de 1.8 milhões de pessoas em províncias do centro e norte em março e abril deste ano, a última época das chuvas foi marcada também pela passagem de uma depressão tropical (Desmond), seca, sismos, chuvas e ventos fortes, por vezes acompanhados de descargas atmosféricas.

No quadro das doenças relacionadas com o período, nesta época, as autoridades registaram 434.971 casos de diarreias e 67 mortes, contra 453.962 casos e 79 óbitos da época anterior.

Na agricultura, o efeito combinado das calamidades afetou 103 distritos, numa área total de aproximadamente 933.064 hectares de culturas diversas, com impacto direto em 544.515 famílias.

“A ocorrência de chuvas fortes, cheias e inundações teve impactos significativos em algumas vias de acesso, com maior destaque para as províncias da zona centro, afetadas pelo Ciclone Idai e na zona zorte pelo kenneth”, acrescentou a diretora-geral do INGC, que aponta a necessidade de mais seguros contra desastres naturais.

Entre outubro e Abril, Moçambique é ciclicamente atingido por cheias, fenómeno justificado pela sua localização geográfica, a jusante da maioria das bacias hidrográficas da África Austral.

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