Segundo o Relatório de Pobreza para Angola 2020: Inquérito sobre Despesas e Receitas (IDR – 2018/2019), particularmente sobre a Pobreza Monetária, consultado hoje pela Lusa, a pobreza em Angola é maior em oito províncias, e do total da população pobre, mais de metade (56%) reside em zonas rurais.

O estudo, elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) angolano e concluído em dezembro de 2019, sublinha que o índice de profundidade da pobreza no país é de 10%, o que representa o “défice médio do consumo por pessoa abaixo da linha da pobreza”.

De acordo com o relatório, o índice de intensidade da pobreza é de 4%, “medida que reflete a severidade da pobreza tendo em conta a desigualdade existente entre os pobres”, onde os índices apresentam valores altos nas áreas rurais (56%) do que na urbana (44%).

Sobre os índices de pobreza por área de residência, o estudo observa que a pobreza é maior nas zonas rurais (57,2%), quase o dobro em relação às áreas urbanas (29,8%).

Em relação ao índice de profundidade, o défice de consumo é duas vezes superior nas áreas rurais 14% comparativamente a 7% nas áreas urbanas, sendo que o índice intensidade na área rural (6,2%) é duas vezes superior comparado com a área urbana (3,3%).

Quanto ao sexo, não existem diferenças significativas para ambos, ou seja, a pobreza incide maioritariamente aos homens com 40,8% e mulheres com 40,2.

O relatório Pobreza IDR assinala também que a pobreza é maior nas províncias do Cuanza Sul, Lunda Sul, Huíla, Huambo, Uíje, Bié, Cunene e Moxico, leste de Angola, “onde mais de metade da população é pobre”.

As províncias angolanas do Namibe, Benguela, Cuanza Norte e Bengo apresentam uma incidência entre 42% e 48%.

Luanda, capital angolana, segundo o INE, apresenta o menor índice de incidência da pobreza com 20%, enquanto o Cunene e Moxico apresentam o maior índice de incidência com 62%.

Cunene, Bié e Moxico são as províncias angolanas que apresentam o índice de profundidade da pobreza mais elevados 16% e 18% respetivamente, o mais baixo encontra-se em Cabinda, Luanda e Lunda Norte com 4% cada.

Segundo o relatório, a distribuição do índice de incidência é acima da média nacional nas áreas urbanas das províncias do Bié (53%), Huambo (52%), Lunda Sul (49%), Uíje (45%), Cuanza Norte (44%) e Moxico (43%).

O estudo adianta igualmente que os índices de pobreza mais elevados estão na população com 65 anos ou mais, incidência 43,7%, profundidade 12,7% e intensidade 5,8%. Os índices mais baixos encontram-se na população com idades inferiores a 34 anos.

“O nível de escolaridade está claramente associado à situação de pobreza. Quanto mais elevado é o nível de escolaridade da população, mais baixo é o nível de pobreza. 57% da população não possui nenhum nível de escolaridade e 55% com o ensino primário é pobre”, lê-se no relatório.

Em Angola, enfatiza o INE, apenas 17% da população que tem o ensino secundário ou acima é pobre.

Angola vive desde finais de 2014 uma profunda crise económica, financeira e cambial devido a queda do preço do petróleo no mercado internacional, maior suporte da economia do país, e com reflexos negativos na condição sócioeconómica dos cidadãos.

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