“Eu penso que a indústria depende muito da economia da China continental. Enquanto a economia na China continental for boa, as receitas dos casinos aqui [em Macau] continuarão boas”, disse à Lusa o diretor do Centro de Pesquisa e Ensino do Jogo do Instituto Politécnico de Macau (IPM), Changbin Wang.

Já para o fundador da Newpage Consulting, consultora especializada em regulação de jogos em Macau, as receitas no território vão continuar a crescer até porque “os fundamentos base não mudaram”, uma vez que, disse à Lusa David Green, “a propensão para as apostas [da população chinesa] parece não ser sensível ao envelhecimento da população da República Popular da China”.

Capital mundial do jogo, Macau é o único local na China onde o jogo em casino é legal, acolhendo em 2017 mais de 32,6 milhões de visitantes, sendo o maior mercado a China, de onde chegaram mais de 20 milhões de pessoas (61,3% do total).

“A propensão para o jogo [dos chineses] é lendária. Apesar dos melhores esforços, Macau continua a ser principalmente um destino de visitantes internos chineses”, sublinhou.

A indústria de jogo, principal pilar da economia da Região Administrativa Especial de Macau administrada pela China, começou a recuperar em agosto de 2016 de um ciclo de 26 meses consecutivos de quedas anuais homólogas das receitas.

No território operam seis concessionárias: Sociedade de Jogos de Macau, Galaxy, Sands China, Melco Resorts, Wynn e MGM.

Só a Sands China, que é uma sucursal da norte-americana Las Vegas Sands, apresentou no terceiro trimestre receitas de 2,15 mil milhões de dólares, mais 13% do que no período homólogo do ano passado.

As receitas do jogo registaram uma “subida de 203 milhões de dólares em Macau” no terceiro trimestre do ano, comparando com o mesmo período de 2017, indicou a Las Vegas Sands em comunicado.

O grupo arrecadou do jogo em Macau nos meses de julho a setembro mais de 18 milhões de dólares por dia.

O casino com maiores ganhos do grupo foi o ‘The Venetian Macao’, com 689 milhões de dólares. O maior casino do mundo e o sétimo maior edifício do planeta em área útil registou um aumento de 22,2% nas receitas de jogo, em comparação com o mesmo período em análise de 2017.

A Sociedade de Jogos de Macau (SJM) fundada pelo magnata do jogo Stanley Ho, registou receitas 1,087 mil milhões de dólares, mais 9,7% do que em igual período do ano passado.

A quase totalidade das receitas do grupo é referente ao jogo (1,063 mil milhões de dólares), tendo crescido 9,5% face aos meses de julho a setembro de 2017.

O hotel Grand Lisboa contribuiu para mais de metade das receitas referentes ao jogo: 533 milhões de dólares.

A MGM China, que resulta de uma parceria entre Pansy Ho, filha de Stanley Ho, e a norte-americana MGM Resorts, que tem dois casinos em Macau, anunciou receitas de 606 milhões de dólares, um aumento de 37% em relação ao período homólogo de 2017.

O MGM Macau continua a ser o ‘resort integrado’ com mais receitas do grupo norte-americano, registando 434 milhões de dólares, uma subida de 7,8 milhões de dólares face aos meses de julho a setembro de 2017.

A mesma tendência de crescimento também se verifica no grupo norte-americano fundado pelo magnata Steve Wynn Wynn Resorts, que arrecadou através dois ‘resorts integrados’ que tem em Macau receitas de 1,3 mil milhões de dólares.

O grupo Galaxy Entertainment (GEG) anunciou receitas de 1,661 mil milhões de dólares, mais 6% comparativamente ao período homólogo de 2017. O presidente do grupo, Lui Che Woo, afirmou estar satisfeito com os “resultados sólidos” e confiante nos “planos de expansão internacional”.

O único concessionário em Macau que não subiu as receitas, em comparação com os meses de julho a setembro de 2017, foi a Melco Resorts.

O grupo liderado por Lawrence Ho, que também é filho de Stanley Ho, com casinos e hotéis em Macau e nas Filipinas, registou receitas de 1,2 mil milhões de dólares (só em Macau cerca de 1,058 mil milhões), uma diminuição de 11% em comparação com o terceiro trimestre do ano passado.

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