Com uma vitória esmagadora do Partido Conservador sobre os Trabalhistas, no dia 12 de Dezembro, Boris Jonhson tem o caminho livre para fortalecer as relações de cooperação entre o Reino Unido e África sem aquilo a que especialistas consideram “limitações económicas” de Bruxelas.

A Cimeira de segunda-feira será, pois, o primeiro grande passo para o inquilino do “número 10 da Downing Street” estabelecer “contatos directos” com os 54 Estados-membros da União Africana (UA) sem a presença, “às vezes asfixiante”, da União Europeia, embora o bloco comunitário se faça representar por diplomatas e multinacionais com investimentos de um e do outro lado do Canal da Mancha.

A Cimeira de Londres acontece num momento em que África, apesar das grandes dificuldades económicas por que passa, é, ainda, a região que mais cresce no mundo. O PIB de África passou de 3,2 por cento, em 2018, para 3,7 por cento, em 2019.

Comparando com os 3,2 por cento do crescimento da economia mundial em 2019, os 3,7 por cento foi a maior expansão económica do continente africano desde a descida, em 2014, dos preços do petróleo no mercado internacional.

Segundo especialistas, a África vem para a capital britânica com um peso de mercado a ser levado em conta pelos investidores que, segunda-feira, vão estar reunidos na Cimeira de Investimento Reino Unido-África, a decorrer no Hotel Intercontinental.

Especialistas do “Bank of América”, incluindo David Hauner, de Londres, consideram África uma “terra de oportunidades” e pode ser um dos principais beneficiários do investimento mundial, se os Estados Unidos e a China fizerem mais progressos nas negociações comerciais.
Angola, o segundo maior produtor de petróleo de África, depois da Nigéria, vai estar representada na Cimeira de Londres com uma importante missão económica. O país, que se tem ressentido, desde há cinco anos, com a queda nos preços do petróleo, vem a Londres captar investimento estrangeiro directo.

Eurobonds

Em Novembro do ano passado, Angola realizou, com sucesso, no mercado financeiro de Londres, a emissão de Eurobonds no valor de três mil milhões de dólares, provando que as reformas em curso têm estado a merecer a confiança dos investidores no mercado angolano.

A emissão dos Eurobonds aconteceu após um “roadshow”, liderado pela ministra das Finanças, Vera Daves, pelas cidades de Nova Iorque, Boston e Londres. O departamento ministerial anunciou, na ocasião, que a comunidade de investidores expressou, claramente, a confiança na abrangência, velocidade e profundidade das reformas institucionais e económicas que estão a ser implementadas pelo Executivo liderado pelo Presidente João Lourenço, tendo a procura atingido o valor máximo de 8,44 mil milhões de dólares.

Nesta volta aos mercados, Angola captou três mil milhões de dólares, tendo dividido a transacção em duas tranches, reduzindo as taxas de juro em 25 pontos percentuais para todas as maturidades: uma parcela com maturidade de 10 anos, com um valor nominal de 1,75 mil milhões de dólares, com uma taxa de juro do cupão fixada em 8.00 por cento, e outra com maturidade de 30 anos, com um valor nominal de 1,25 mil milhões de dólares e uma taxa de juro do cupão fixada em 9,125 por cento.

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