A Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, acusou esta terça-feira a Frelimo, no poder, de ter “reativado os esquadrões de morte” para mover ações de violência e perseguição aos membros daquela organização e criar um conflito pós-eleitoral.

“Violando o espírito e a letra do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional, assinado no dia 6 de agosto do presente ano, a Frelimo reativou os esquadrões de morte”, declarou esta terça-feira o porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), José Manteigas.

O dirigente, que falava em conferência de imprensa, em Maputo, acusou as forças de defesa e segurança de detenções ilegais de membros da Renamo e tentativas de sequestro de tantos outros. Os casos, de acordo com Manteigas, registaram-se nas províncias de Sofala, Manica, Zambézia e Tete, Centro do país, entre os dias 16 de outubro e 11 de novembro.

“O cenário que aqui apresentamos é simplesmente uma pequena amostra do que está a acontecer depois do dia 15 de outubro”, afirmou o porta-voz da Renamo, referindo-se às eleições gerais e provinciais que deram a vitória à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).

José Manteigas afirmou que, como Presidente da República e Comandante em Chefe das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, Filipe Nyusi “sabe o que está a acontecer no terreno”. Manteigas assinalou que, nos últimos anos, vários membros da Renamo foram assassinados por alegados esquadrões de morte.

Por outro lado, o porta-voz da Renamo acusou o governo da Frelimo de não estar a agir no sentido de travar o “extermínio da população” da província de Cabo Delgado, Norte do país, numa alusão aos ataques armados por grupos desconhecidos.

José Manteigas respondeu apenas a questões relacionadas com a denúncia que fez esta terça-feira, recusando tratar de outros assuntos. Apesar das tentativas, a Lusa ainda não conseguiu ouvir a Frelimo e a polícia moçambicana sobre as acusações feitas esta terça-feira pela Renamo.

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