O ato central das comemorações, sob o lema “Honrar os Heróis, Preservando os Valores da Pátria”, decorre em Cabinda, liderado pelo ministro da Administração do Território e Reforma do Estado angolano, Adão de Almeida, em que o foco passa por “resgatar a História” junto das novas gerações.

A efeméride foi aproveitada por um grupo de cidadãos para uma ação de protesto contra o recente aumento, a 21 de janeiro, do preço da emissão dos documentos de identificação, sobretudo dos passaportes, que aumentou mais de 10 vezes, passando de 3.000 kwanzas (8,4 euros) para 30.500 kwanzas (86 euros), subida justificada pelos elevados custos na aquisição de cédulas no exterior do país.

Com a entrada em vigor da nova tabela do Serviço de Migração de Estrangeiros (SME), que desencadeou de imediato grande contestação da sociedade nas redes sociais, o Estado angolano deixou de subvencionar o preço do passaporte, para o qual gastava 143 euros por cada cédula.

Os promotores da iniciativa vão juntar-se a partir do início da tarde no Largo da Independência, em Luanda, e prometem realizar iniciativas idênticas dia sim dia não até ao final de fevereiro.

Várias versões do “04 de fevereiro” de 1961 ainda não permitem definir uma História clara sobre o que aconteceu, quando um grupo de cerca de duas centenas de angolanos, munidos de armas brancas, atacaram vários postos militares do regime colonial português, tendo sido “recebidos” a tiro.

Os ataques, segundo números oficiosos, provocaram a morte de 40 insurgentes e seis militares portugueses e assinalaram o ponto de partida, quer interna quer externamente, para uma maior consciencialização em Angola, num período em que vários países africanos acediam à independência e acabavam com o jugo colonial, abrindo portas à luta política e armada, que iria prosseguir até 1974.

A consciência dos angolanos despertou para a necessidade de “libertação”, com os jovens a envolverem-se em atividades políticas clandestinas contra a ocupação colonial, enquanto outros se juntaram à luta armada no interior do país, que culminou com a independência, a 11 de novembro de 1975.

Segundo vários historiadores angolanos e portugueses, estima-se entre 200 e 250 os protagonistas do “04 de fevereiro”, que atacaram a Casa de Reclusão, a Cadeia da 7.ª Esquadra da Polícia, a Sede dos Correios, Telégrafos e Telefones (CTT) e a emissora oficial de Angola.

Há três versões sobre essas ocorrências, mas todas coincidem quanto à utilização de armas brancas. A primeira diz que os angolanos armados de catanas, em quatro direções, atacaram aqueles locais.

A segunda aponta que o descontentamento do sistema colonial era tanto que células de Luanda (na sua maioria do Movimento Popular de Libertação de Angola – MPLA) desenvolviam atividades políticas na clandestinidade. O plano de ataque consistia em dois grupos que investiriam contra dois objetivos militares, designadamente a Casa de Reclusão e a Cadeia da 7.ª Esquadra da Polícia.

Desta ação conseguiriam armas de fogo para atacar os CTT e a emissora oficial, podendo informar ao mundo das revoltas dos angolanos contra o regime colonial, com o MPLA a reivindicar a autoria moral do “4 de fevereiro”.

A terceira versão associa as duas primeiras e conta de forma quase anacrónica os factos. Tudo Começa com o ataque à Casa de Reclusão, em que o insucesso do ataque dispersou os protagonistas. Simultaneamente, dois outros grupos que se preparavam dispersaram-se. É assim que se realiza uma emboscada, onde é morto um cabo português. Os revoltados apoderaram-se das suas armas e dirigiram-se à 7ª Esquadra da Polícia, numa ofensiva, cujo insucesso resultou em mais de quarenta mortos e muitos prisioneiros.

Visto que Luanda tinha a característica de pluralidade sociocultural, admite-se que pouco se importavam da cor partidária, na altura, querendo apenas a libertação.

Na versão oficial angolana sobre os acontecimentos da madrugada de 04 de fevereiro de 1961 é indicado que grupos de guerrilheiros angolanos, comandados por Neves Bendinha, Paiva Domingos da Silva, Domingos Manuel Mateus e Imperial Santana, num total de duzentos homens armados com catanas, desencadearam uma série de ações na cidade de Luanda,

Um desses grupos montou uma emboscada a uma patrulha da Polícia Militar, neutralizando os quatro soldados, tomando-lhes as armas e as munições, tentando, depois, libertar os presos políticos, num ataque frustrado à Casa da Reclusão Militar.

Outros alvos foram as cadeias da PIDE, no Bairro de São Paulo, e da 7.ª Esquadra da Polícia de Segurança Pública (PSP), onde havia também presos políticos.

Tentaram igualmente ocupar a “Emissora Oficial de Angola”, estação de rádio ao serviço da propaganda do Estado. Nestas ações, morreram quarenta guerrilheiros, seis agentes da Polícia e um cabo do Exército Português, junto à Casa da Reclusão.

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