Num ensaio publicado no último número da Qiushi [A busca pela verdade], revista bimensal do Partido Comunista Chinês (PCC) sobre teoria política, o diretor do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau em Pequim, Zhang Xiaoming, indicou que “forças externas estão a participar e a fabricar o caos em Hong Kong e estão também a tentar infiltrar-se em Macau”.

O artigo foi publicado após a visita do Presidente chinês, Xi Jinping, a Macau, de 18 a 20 dezembro último, para assinalar o 20.º aniversário da transferência da administração do território de Portugal para a China, assim como para empossar o quinto Governo da região administrativa especial chinesa.

Segundo o jornal de Hong Kong, Zhang citou o também secretário-geral do PCC, Xi Jinping, ao sublinhar que a China é firme na salvaguarda da “soberania nacional, da segurança e dos interesses do povo” e que nunca irá tolerar interferências externas em Hong Kong ou Macau.

“Estes comentários do secretário-geral Xi Jinping foram um golpe frontal para elas [forças externas] e serviram como um encorajamento para nós (…) numa altura em que forças externas estão a participar e a fabricar o caos em Hong Kong, e estão também a tentar infiltrar-se em Macau”, disse.

Zhang escreveu que Hong Kong sofreu “contratempos”, enquanto Macau deu grandes passos na implementação do princípio ‘um país, dois sistemas’, que confere às duas regiões administrativas especiais um alto grau de autonomia até 2047 e 2049, respetivamente.

Zhang sublinhou que as palavras proferidas por Xi Jinping em Macau devem servir como uma “orientação importante” para a antiga colónia britânica.

Pequim atribuiu à ação de forças estrangeiras a agitação política e social que se vive em Hong Kong há seis meses. Em junho passado, decorreram as primeiras manifestações contra uma proposta de alteração à lei de extradição, já retirada definitivamente pelo executivo de Carrie Lam.

Simultaneamente, elogiou Macau por manter a estabilidade social e a prosperidade económica, mas esta é a primeira vez, no âmbito da crise em Hong Kong, que se sugere que forças estrangeiras estejam a visar o antigo território administrado por Portugal.

Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros defendera já que a agitação em Hong Kong era “obra dos Estados Unidos”, servindo-se de comentários de políticos em Washington que expressaram simpatia pelo movimento pró-democracia na cidade.

Depois do Congresso norte-americano ter aprovado uma resolução que aumentou o escrutínio de Washington sobre Hong Kong, Pequim retaliou com a suspensão de visitas de navios militares norte-americanos à cidade e com sanções a várias organizações não-governamentais sediadas nos EUA.

Citado pelo SCMP, o vice-presidente de uma associação de Estudos de Hong Kong e Macau, Lau Siu-kai, disse que as preocupações do Governo central sobre Macau estavam provavelmente relacionadas com essas organizações.

“Há muito que Pequim tem preocupações com a segurança de Macau e grande parte dessas preocupações tem envolvido os EUA”, disse.

No entanto, apontou, “as organizações estrangeiras têm tido problemas em estabelecer uma presença em Macau, por isso Pequim acredita que é mais provável que a influência se construa através [da presença] em Hong Kong”.

“Pequim pode pensar que tem menos a temer por Macau por não ser tão desenvolvida [como Hong Kong], mas as preocupações vão aumentar quando tentar levar Macau a tornar-se mais internacional”, disse, numa alusão a uma maior abertura de Macau ao estrangeiro e à diversificação da economia altamente dependente do jogo.

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