“Tenho a opinião de que um artista deve fazer um bocado o que entender e as pessoas devem absorver o que quiserem e, principalmente, numa altura em que, com o Spotify e o Youtube, as pessoas podem escolher o que querem ouvir e o que não querem ouvir também”, frisou o cantor português.

O músico falava à Lusa no recinto do Rock in Rio no Brasil, momentos antes de atuar com os brasileiros Rael, Baco Exu do Blues e Rincon Sapiência, afirmando que os artistas devem ter responsabilidade “quanto baste”.

“Eu sei que tenho muitos jovens ou malta mais nova a ouvir-me, mas acho que devo ter uma responsabilidade q.b. [quanto baste]. Quando estou no estúdio não posso preocupar-me assim, porque isso acaba por censurar-nos um bocadinho”, explicou.

A música e vídeo “B.F.F.”, que deverá ser incluída no novo álbum do ‘rapper’ Valete, aborda uma cena de violência, em que um homem armado ameaça violentamente a mulher, o que, na terça-feira, motivou mais de uma centena de associações e pessoas a assinar uma petição pública, criticando a “banalização da violência contra as mulheres”.

No entanto, Agir, autor das músicas “Como ela é Bela”, “Parte-me o Pescoço ou “Make Up”, discordou hoje desta conceção e lembrou que são os pais que devem ter maior atenção aos conteúdos que os jovens assistem.

“Se existem jovens a ouvir, os pais desses jovens é que têm que saber se é o indicado para os filhos ou não, porque eu posso ter jovens a ouvir, mas não sou um artista infantil e ele [Valete] também não o quer ser. Ele tem que fazer o que entender e quem gosta ouve, quem não gosta não ouve”, defendeu.

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