O escritor Ruy Castro, os estreantes Gustavo Pacheco e Geovani Martins, bem como o humorista e apresentador de televisão Jô Soares estão entre os finalistas do Prémio Jabuti 2019, um dos principais galardões literários do Brasil, hoje anunciados.

A organização do Jabuti divulgou hoje os cinco finalistas de cada uma das suas 19 categorias, que por sua vez estão divididas em quatro áreas: Literatura, Ensaios, Livro e Inovação.

“Alguns humanos”, primeiro livro de Gustavo Pacheco, que está editado em Portugal pela Tinta-da-China, é um dos finalistas na categoria contos, com um conjunto de 11 histórias que se cruzam numa geografia que vai do Bornéu ao Bronx, em Nova Iorque, de Moçambique a Salvador da Bahia, da Alemanha à Cidade do México, e de Pequim a Buenos Aires.

Na mesma categoria aparece também outro estreante, Geovani Martins, jovem autor brasileiro nascido e criado numa favela, que foi descoberto num festival literário e se tornou a grande sensação da nova literatura brasileira, com o seu primeiro livro, “O sol na cabeça”.

Publicado em Portugal desde julho pela Companhia das Letras, este livro junta histórias que compõem a textura da vida diária nas favelas. O autor esteve este mês em Portugal, a participar no Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos, que decorreu entre 10 e 20 de outubro.

Na mesma categoria concorrem ainda Rodrigo Lacerda, com “Reserva natural”, Emilio Fraia, com “Sebastopol”, e Vilma Arêas, com “Um beijo por mês”.

Na categoria de Crónica destacam-se o jornalista, biógrafo e escritor Ruy Castro, com “A arte de bem querer”, livro que reúne mais de uma centena de crónicas escritas entre 2008 e 2017, sobre temas tão diversos como a profissão, os amigos, os ídolos, a sua cidade, a música, ou a vida.

Em Portugal tem várias obras publicadas pela Tinta-da-China, designadamente a história da Bossa Nova e uma biografia de Nelson Rodrigues.

Com este, concorre também o livro de crónicas “Pós-F: para além do masculino e do feminino”, de Fernanda Young, argumentista, escritora, apresentadora e atriz brasileira, autora da série “Os Normais” e comentadora do programa “Saia Justa”, que morreu em agosto passado, aos 49 anos.

Outro livro de estreia a figurar entre os finalistas ao prémio é “O pai da menina morta”, primeiro romance do brasileiro Tiago Ferro, editado em Portugal pela Tinta-da-China e descrito como um livro “meteorito”, escrito a partir da experiência da morte da filha de oito anos do autor.

O romance — que concorre nessa categoria – é o caleidoscópio de um luto, construído a partir da tristeza, da raiva e da reconfiguração do mundo que necessariamente acontece após uma perda indizível.

Na corrida para melhor romance contam-se também os livros “A tirania do amor”, de Cristóvão Tezza, “Cloro”, de Alexandre Vidal Porto, “Enterre seus mortos”, Ana Paula Maia, e “Nunca houve um castelo”, de Martha Batalha.

No que respeita aos ensaios, o humorista e apresentador de televisão Jô Soares aparece entre os finalistas da categoria Biografia, Documentário e Reportagem, com “O livro de Jô: uma autobiografia desautorizada — volume 2”, em coautoria com Matinas Suzuki.

Na mesma categoria está listada como finalista também a jornalista, crítica e historiadora Joselia Aguiar, com o livro “Jorge Amado: uma biografia”, sobre o escritor brasileiro autor de “Capitães da Areia” e Prémio Camões em 1994, que foi publicado em Portugal no final de agosto pela Dom Quixote.

Na área da Inovação, concorre na categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior o escritor Julián Fuks, com “Resistência”, livro com que já tinha ganhado o Jabuti em 2016, mas na categoria Romance, e o prémio José Saramago, em 2017.

Em Portugal está publicado pela Companhia das Letras.

Nesta mesma categoria chegou a estar nomeado, na lista dos primeiros dez finalistas de cada categoria, divulgada no início do mês, o ex-presidente brasileiro Lula da Silva, que concorria com a obra “A verdade vencerá”.

Pelo caminho ficou também o livro “Também os brancos sabem dançar: um romance musical”, do escritor e músico angolano residente em Portugal Kalaf Epalanga, na categoria de melhor capa.

Esta obra foi publicada no Brasil pela editora Todavia, com capa da autoria de Pedro Inoue. Em Portugal, o livro encontra-se editado pela Caminho.

O vencedor do Prémio Jabuti será conhecido em 28 de novembro, sendo na mesma altura anunciado o vencedor do Livro do Ano.

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here