“Tendo em conta o ambiente que se vive, convocámos o Conselho Nacional para poder suspender a realização do congresso, mas foi aprovado o seu adiamento”, disse o porta-voz Abenildo de Oliveira.

“O ADI é uma família grande e precisa reconciliar-se, precisa perdoar e precisa ter um espaço para aqueles que erraram poderem juntar-se a toda a equipa e andarmos de mãos unidas”, acrescentou.

Os apoiantes da candidatura de Agostinho Fernandes não reconhecem a legitimidade ao fórum, alegando que “uma reunião do Conselho Nacional deve ser precedida de uma reunião da Comissão Política, o que não aconteceu”.

“Unanimemente, os conselheiros decidiram pelo adiamento do congresso de 25 de maio para permitir que a comissão de gestão possa iniciar imediatamente todo o trabalho de reestruturação das bases, dos secretariados distritais e regional bem como as organizações do partido, nomeadamente a Juventude do ADI (JADE) e as mulheres do partido (MMA)”, sublinhou Abenildo de Oliveira.

Por unanimidade os elementos presentes aprovaram também uma moção de solidariedade para com o ex-ministro das finanças, Américo Ramos que se encontra em prisão preventiva.

O candidato único à liderança do Ação Democrática Independente, na oposição em São Tomé e Príncipe, já tinha denunciado a possibilidade de adiamento do congresso, após apelos do ex-primeiro-ministro nesse sentido.

“No fim-de-semana que passou, a comissão de gestão recebeu um vídeo do presidente autossuspenso [Patrice Trovoada, antigo primeiro-ministro] que alerta para a necessidade de uma vez mais se adiar o congresso, sob pretexto de que não é possível realizar-se o congresso do ADI sem a sua presença”, afirmou terça-feira o candidato à liderança do ADI, Agostinho Fernandes, em conferência de imprensa.

O único candidato que se oficializou, até agora, na corrida à liderança da ADI, manifestou-se também “perplexo” com a comissão de gestão do partido, que acusa de “não ter feito nada” para a realização do congresso.

O congresso da ADI esteve marcado inicialmente para 30 de março, depois adiado para 25 de maio.

O antigo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, decidiu em novembro suspender as suas funções como presidente da ADI, vencedor das legislativas de outubro passado, mas que não formou Governo. Patrice Trovoada, de livre vontade, abandonou o país, não assumiu funções como deputado eleito, abandonou a liderança da ADI, tendo deixado os dirigentes e militantes desse Partido à sua sorte.

Presume-se que Patrice Trovoada tem receio de regressar a S. Tomé e Príncipe pressionado pelos vários casos de corrupção que têm vindo a ser denunciados pelo atual governo, tendo já sido constituído arguido pela Procuradoria-Geral da República.

Alguns militantes da ADI acusam Patrice Trovoada de falta de coragem política e de ter posto em prática uma estratégia de governação desastrosa manchada pela corrupção e autoritarismo que conduziu a perda do poder para a oposição. Patrice Trovoada abandonou Américo Ramos e outros antigos governantes da ADI, deixando-lhes, sozinhos, assumirem as culpas pelos seus atos de desgoverno.

Atualmente, a ADI continua a ser um partido político sem órgãos diretivos legitimados pelo voto, tal como exige a Lei dos Partidos Políticos, e sem democracia interna, deixando o país sem liderança na oposição política ao atual governo.

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