“A presença da equipa portuguesa no país, para além [de analisar] os agentes que nós pensamos que estão relacionados com o aparecimento da celulite necrotizante, poderá ajudar-nos a conhecer outros agentes que estão relacionados com a doença”, disse a diretora dos cuidados de saúde, Mariza Conceição.

Os médicos portugueses — que vão permanecer no país até final de maio – consideram que têm existido alguns progressos no tratamento dos casos que dão entrada nos hospitais, mas defendem que são necessárias mais pesquisas para “estancar a doença”.

“Nós estamos aqui para tentar perceber melhor a celulite necrotizante, uma doença que, no ano passado, teve uma incidência maior do que aquilo que normalmente tem”, disse o responsável pela equipa médica portuguesa, Carlos Gonçalves.

O médico diz que é preciso fazer-se “um estudo profundo” sobre a doença, que não se limitará apenas aos pacientes internados nos hospitais.

“Uma primeira vertente é tentar perceber, nas comunidades, o que é que se está a passar para a doença estar a aparecer com mais frequência e essa parte é uma parte epidemiológica que é feita através de um questionário em que toda a estrutura do Ministério da Saúde deve estar envolvida”, explicou Carlos Gonçalves.

“Há uma segunda vertente, que é tentar encontrar nas comunidades os casos iniciais da doença, estudá-los em profundidade, perceber quais são as causas e porque é que está acontecer”, acrescentou, sublinhando que o referido estudo terá uma terceira fase que, em colaboração com os médicos do serviço de saúde de São Tomé, visa “estabelecer novos diagnósticos laboratoriais”.

Carlos Gonçalves diz que, apesar de se notar uma tendência para a diminuição de casos de celulite necrotizante, é preciso não baixar a guarda.

“Tem havido uma diminuição de casos, mas isso não quer dizer que não vão reaparecer”, alerta o médico, adiantando que os resultados desse estudo serão conhecidos em finais de outubro.

A equipa portuguesa chegou no sábado ao arquipélago e inclui médicos e especialistas em ambiente.

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