“Reiteramos ao Presidente da República a nossa confiança na sua pessoa enquanto garante da constituição para que as conquistas democráticas deste país sejam preservadas e toda solução possa ser encontrada para manter esse equilíbrio, para preservar as conquistas democráticas, foi este apelo que nós deixamos ao senhor Presidente da Republica”, disse o diplomata da ONU.

François Louncény Fall reuniu-se hoje com o presidente Evaristo Carvalho, depois de uma audiência demorada com o presidente do Supremo Tribunal de Justiça/Tribunal Constitucional, Silva Gomes Cravid.

“Fizemos com ele (chefe de Estado) o ponto da situação sobre as várias consultas que tivemos até agora, nomeadamente com o primeiro-ministro, com o partido maioritário, com a oposição, com o Supremo Tribunal”, explicou.

“Estamos cá numa missão de bons ofícios para ajudar o povo são-tomense na sua caminhada para a democracia. São estes os esforços que temos feito e foi nesse quadro que tivemos um encontro bastante frutuoso com o Presidente da Republica”, acrescentou.

François Louncény Fall está na reta final da sua missão para apaziguar a crise política no arquipélago.

A deslocação do diplomata das Nações Unidas a São Tomé esteve inicialmente marcada para começar dia 24 deste mês, mas foi antecipada devido à “urgência da situação de crise que se vive” no país.

“Nós recebemos um convite oficial do Governo através de uma carta do ministro dos negócios estrangeiros, mas seguimos também a situação porque a nossa coordenadora residente fez-nos um relatório sobre a situação política”.

“Por conseguinte, foi urgente que tivéssemos vindo, essa urgência é que nos levou a antecipar a viagem”, explicou Francois Fall.

O enviado especial do secretário-geral da ONU termina esta quinta-feira a sua missão de mediação em São Tomé e Príncipe, mesmo dia em que está marcada a investidura dos novos juízes do Tribunal Constitucional, em cerimónia a decorrer na Assembleia Nacional (parlamento).

Os representantes da oposição já disseram que não estarão presentes no ato por considerarem “ilegal” a eleição dos novos juízes.

Nas ultimas semanas, a situação política em São Tomé e Príncipe deteriorou-se com uma crise institucional entre o Presidente da Republica, Evaristo Carvalho, Assembleia Nacional (parlamento) e o governo de um lado e o Supremo Tribunal de Justiça/Tribunal Constitucional e a oposição, do outro.

Mas o foco da crise aconteceu no passado dia 15 deste mês quando os deputados da oposição tentaram boicotar a eleição de cinco juízes para o Tribunal Constitucional autónomo, constituído mesmo depois de um acórdão do Supremo Tribunal de Justiça que na veste do Tribunal Constitucional considerou o diploma “ilegal e inexistente”.

Durante a votação, o clima de tensão entre os deputados da oposição e do partido que apoia o governo, Ação Democrática Independente (ADI), aumentou na sala de plenário tendo o governo enviado para o hemiciclo uma força de polícia de intervenção para expulsar deputados da oposição.

O representante do secretario geral deverá fazer esta quinta-feira um balanço sobre a situação política do país.

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