“Quando chegámos, as necessidades de tesouraria eram muito altas, na ordem dos 40 milhões de euros só em dívidas a fornecedores, pelo que utilizaremos boa parte desses fundos para esses pagamentos”, afirmou Salgado Zenha em entrevista ao canal do Sporting.

Questionado acerca do nome da empresa que financiou os 65 ME, o dirigente do Sporting não quis revelá-lo, nem sequer a taxa de juro a ser paga pelos `leões`: “Devemos manter o sigilo em relação aos nossos parceiros e investidores, e com todos aqueles que trabalham connosco. O FC Porto e o Benfica também efetuaram transações semelhantes e não partilharam essa informação. Que eu saiba, nessa altura, ninguém teve curiosidade em saber os nomes dos seus financiadores.”

Salgado Zenha reconheceu que “não encontrou qualquer `buraco financeiro` nas contas do clube”, como já tinha confirmado a auditoria realizada, mas sim necessidades de tesouraria “muito exigentes”, o que obrigou “a efetuar esta operação financeira para cobrir todas as responsabilidades”.

“De facto, não existe qualquer buraco nas contas. O BES tinha um buraco de dois mil milhões de euros, neste caso, o que estava nas contas correspondia à realidade, o que não significa que não houvesse dificuldades de tesouraria”, explicou o dirigente do Sporting.

Outra fatia deste empréstimo será canalizada, segundo o dirigente dos `leões`, para reembolsar os bancos com os quais o anterior presidente negociou a reestruturação financeira, reestruturação essa que a atual direção pretende renegociar com a banca.

Quanto às garantias que o Sporting teve de dar para garantir o empréstimo de 65 ME, Salgado Zenha reconheceu que as mesmas decorreram da antecipação de cerca de dois anos de receitas do contrato de televisão com a empresa NOS.

“Há que desmistificar esta situação. O que fizemos foi uma antecipação de receitas, que decorre da cedência de receitas do contrato com a NOS, que corresponde a dois anos do contrato. Aliás, já tinham sido antecipados quase dois anos de receitas desse mesmo contrato pela direção anterior. Mas não é mais do que um financiamento para pagar outra dívida”, referiu o administrador da SAD.

Em relação ao futuro, Salgado Zenha revelou que o Sporting tem “um plano financeiro que pretende cumprir, tendo noção de que o caminho é difícil, depois de uns primeiros seis meses complicados face à herança deixada pela gerência anterior e que obrigou à contração de um empréstimo para pagar dívidas e não investir organicamente, como deveria ser”.

Confrontado com a afirmação do CEO da NOS, Miguel Almeida, segundo a qual a sua empresa não tem prevista qualquer antecipação de receitas dos contratos televisivos com os três `grandes`, Salgado Zenha explicou a posição do Sporting: “Estamos alinhados com o dr. Miguel Almeida. O que se fez não foi uma antecipação de receitas da NOS ao Sporting, mas sim a cedência por parte do clube de uma parte do contrato a uma terceira parte.”

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