O secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, Rodrigo Brum, considerou hoje que São Tomé e Príncipe “tem muito caminho a fazer” para atingir um nível satisfatório no contexto do comércio e do investimento com a China.

“São Tomé e Príncipe é um parceiro recente que tem certamente muito caminho para fazer. As condições não são fáceis, o caminho não é fácil, certamente, mas faz-se caminhando”, disse Rodrigo Brum, em declarações à Lusa.

São Tomé e Príncipe foi o último membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), à exceção da Guiné Equatorial, a entrar para o Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa (Fórum de Macau), em março de 2017.

O secretário-geral adjunto do Fórum Macau encontra-se na capital são-tomense para participar na 14.ª edição do Encontro dos Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, cujo programa termina hoje com uma visita ao norte do país.

“Nós estamos numa evolução que, do lado da China é quase explosiva, é de um crescimento aceleradíssimo. As relações entre a China e o conjunto dos países da CPLP tem vindo a crescer de forma muito significativa nestes últimos 15 a 16 anos. Com a existência do fórum, o investimento chinês mais do que se multiplicou por 100 vezes”, explicou o economista português.

Rodrigo Brum considerou que os países da CPLP “pretendem acompanhar” a “evolução muito intensa” do crescimento económico chinês.

O responsável sublinhou que alguns países têm uma posição mais relevante no contexto do comércio e do investimento com a China, como o Brasil, mais distanciado Angola, e depois, em terceiro lugar, Portugal, em termos do comércio.

O economista considerou, contudo, que os países de língua portuguesa têm que “fazer muito trabalho de casa”.

“Não basta cedermos ao mais fácil que é vender as matérias-primas, vender as madeiras, vender produtos agrícolas ou outros minerais que são não trabalhados, que não têm qualquer mais-valia”, referiu Rodrigo Brum.

“É preciso criarmos as condições para convencer ao investimento chinês que nos ajude a transformar, no local de origem, nos países de língua portuguesa, alguns desses produtos que depois serão exportados, naturalmente, em grande quantidade para a China, mas com mais-valias acrescidas deixadas nos países de origem”, acrescentou.

Do ponto de vista do secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, “a questão principal” dos países de língua portuguesa que têm uma cooperação económica e comercial com a China é “saber aproveitar o interesse manifesto que a China tem demonstrado nesta relação com os países de língua portuguesa”.

Em relação particularmente a São Tomé e Príncipe, o responsável garantiu que a China vai investir no país, particularmente no setor das pescas.

“A china vai investir garantidamente no setor das pescas. Há já contactos nesse sentido e digo com alguma segurança que vai investir”, adiantou.

No entanto, advertiu: “Tem que haver um plano da parte de São Tomé e Príncipe para que algum desse pescado, desse produto no investimento das pescas que venha a ser feito, seja aqui transformado”.

Rodrigo Brum sublinhou a necessidade, nesse âmbito, de haver melhores condições de frio, de portos, de transportes, incluindo transportes aéreos.

“Em termos do mar, os países de língua portuguesa, no seu conjunto, representam 5,48% do total mundial da plataforma continental até 200 milhas da costa, significando que tem uma expressão muito significativa, mesmo quando comparado com a China que tem menos área disponível em termos de mar”, referiu.

“São Tomé e Príncipe é mais pequeno, tem 1001 km2, mas tem são 160 mil quilómetros quadrados de superfície marítima. Não há que ser tímido, há que ser ambicioso e definir estratégias de longo alcance com esta dimensão presente”.

Publicidade