Tozé Cassandra, presidente do Governo Regional do Príncipe, disse hoje que sairá do cargo após a crise provocada pela covid-19, sucedendo-lhe o líder da UMPP, Filipe Nascimento, e afirma o abandono da corrida às presidenciais são-tomenses de 2021.

“Não há motivos para nenhuma preocupação neste âmbito, todos os procedimentos relacionados com a decisão em causa, acertados atempadamente com sua Excelência o senhor primeiro-ministro [Jorge Bom Jesus], ainda não foram realizados por motivos relacionados com o impacto desta pandemia”, disse, em entrevista à Lusa, o presidente do Governo Regional do Príncipe, José Cardoso Cassandra (Tozé), que foi eleito em outubro de 2018 para um quarto mandato.

“Assim que estiverem reunidas as condições para a realização deste acontecimento, tudo será feito, de acordo com as condições de dignidade institucional que tal acarreta”, acrescentou Cassandra.

O governante explicou que, devido à pandemia de covid-19, “o país está em estado de emergência e não há voos de ligação”.

“O primeiro-ministro é que dá posse ao presidente do Governo Regional, ele tem que ouvir os partidos que participaram nas eleições, portanto, há toda uma série de questões que estão a atrasar este processo”, comentou.

“Naturalmente, logo que a situação se normalizar, nós iremos avançar para a concretização desse processo”, referiu ‘Tozé’ Cassandra, como é habitualmente conhecido.

Em novembro do ano passado, Filipe Nascimento foi eleito no congresso da União para a Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP) como líder deste movimento que tem liderado o Governo da Região Autónoma do Príncipe nos últimos 14 anos.

O congresso de novembro alterou os estatutos do movimento, estabelecendo que seis meses após a sua eleição, o novo presidente deve assumir a liderança do Governo Regional – prazo que foi entretanto ultrapassado.

Filipe Nascimento é um jovem quadro natural de Príncipe, de descendência cabo-verdiana e formado em Direito em Portugal e que durante vários anos trabalhou na Câmara Municipal de Oeiras, em Portugal.

É de lembrar que nas redes sociais vários elementos da UMPP, incluindo conselheiros próximos do Tozé Cassandra, davam como certa a sua candidatura às eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe de 2021, algo que negou, na entrevista à Lusa.

“Eu não tenho planos, pessoalmente, nenhuns ou pretensões nenhumas de concorrer para a Presidência da República”, disse José Cardoso Cassandra.

“Tendo em conta os problemas que temos neste momento no nosso país, mais do que atos individuais de natureza avulsa e voluntária, deve prevalecer a disponibilidade para o cumprimento de uma agenda em qualquer função política que se possa desenhar”, acrescentou.

Tozé entende que é necessário “mudar a realidade existente no país, que é muito má”, por isso uma decisão de candidatura “não pode ser uma coisa pessoalizada, individual”, dando como exemplo a frágil estabilidade política e o regular funcionamento das instituições.

“O único governo, desde a instauração da democracia no país, em 1991, que concluiu uma legislatura foi o anterior, chefiado por Patrice Trovoada”, comentou José Cardoso Cassandra.

Tozé entende que com o atual modelo de governação em São Tomé e Príncipe, dificilmente um Presidente da República tem muita margens de manobra para manter a estabilidade política e governativa.

“Que contributos pode oferecer um Presidente da República neste âmbito, tendo em conta o nosso sistema político semipresidencialista como instrumento da criação de condições que permitem a estabilidade política governativa neste país?”, questionou ‘Tozé’ Cassandra.

São Tomé e Príncipe registou, até ao momento, 514 casos positivos e 12 mortos devido à covid-19.

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