“Eu devo dizer que foi uma conversa muito amena, muito tranquila e estamos convencidos de que o sr. Presidente no final dos encontros tomará a decisão mais sensata e mais conveniente para o país”, disse Carlos Neves aos jornalistas hoje, no final da audiência com o chefe de Estado para analisar a formação do próximo Governo.

“Temos um país paralisado há três meses, desde que foram marcadas as eleições e ultimamente com esta crise de energia que está a paralisar toda a economia e toda a sociedade. Pensamos que o sr. Presidente fará uma leitura judiciosa da situação e evitará maiores constrangimentos a este povo”, afirmou Carlos Neves, que chefiou a delegação PCD-UDD-MDFM no encontro.

O Presidente da República, Evaristo Carvalho, iniciou na sexta-feira uma ronda de auscultação às formações políticas com representação parlamentar com vista a formar o próximo governo, depois de demitir por decreto, esta semana, o Governo liderado pelo primeiro-ministro cessante, Patrice Trovoada.

“Nomear um governo minoritário para cair poucos depois no parlamento pode não ser o melhor cenário para o país”, explicou Carlos Neves, convencido de que Evaristo Carvalho “fará a leitura mais consentânea com a situação e que melhor servirá os interesses do país”.

A coligação PCD-UDD-MDFM elegeu cinco deputados na Assembleia Nacional (parlamento) e assinou com o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), com 23 assentos, um acordo de incidência parlamentar que lhes dá uma maioria absoluta de 28 deputados para formar o próximo governo.

A Ação Democrática Independente (ADI) foi o partido mais votado nestas eleições com a maioria simples de 25 deputados.

O Movimento Independente de Caué, elegeu dois deputados.

O seu secretário-geral, Levy Nazaré, disse na sexta-feira, depois da audiência com o Presidente da República, que a decisão de Evaristo Carvalho quanto à formação do próximo governo deverá ser tomada em conformidade com “o ditame constitucional”.

“Acho que é isso que o sr. Presidente da República irá fazer, como alguém que percebe bem da Constituição, pela experiência que tem. O ADI ganhou as eleições e ficou em primeiro lugar, mas nós aguardamos serenamente a decisão do Presidente da República”, disse.

O presidente do MLSTP-PSD, Jorge Bom Jesus, garantiu, por seu lado, que a oposição constituída em nova maioria chumbará no parlamento um primeiro-ministro do ADI indigitado pelo chefe de Estado.

“Nós estaremos à espera da decisão do sr. Presidente e, enquanto parlamentares, nós ontem mostramos, de facto, a coesão da nova maioria e estaremos prontos, firmes para que, eventualmente, se houver um governo minoritário, naturalmente que ele cairá na assembleia nacional”, disse o líder do MLSTP-PSD.

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