Na escola básica Dona Maria de Jesus, no centro da capital de São Tomé e Príncipe, mais de 20 pessoas ainda esperam para votar numa das duas mesas desta assembleia de voto, às 19:15 (a mesma hora em Lisboa), para as eleições legislativas e autárquicas.

“Estou à espera há muito tempo, mas tenho de exercer o direito”, comentou uma mulher, com a senha número 24. Os responsáveis distribuíram senhas às pessoas que ainda estavam no local à hora de fecho das urnas, às 18:00.

Um homem, na fila, reclama que “o processo está muito lento”, enquanto outro diz que “a mesa tem de ser mais rápida”.

Por perto, Daniel, de dois anos, brinca. Um eleitor sai da fila e chama-o de “João”. Pega-o ao colo e vai para a porta da sala, para ver se consegue entrar mais depressa, perante as gargalhadas de quem observa.

Na sala ao lado, a votação terminou mais cedo e é altura de começar a contagem. Um a um, a presidente da mesa vai abrindo os boletins da caixa vermelha – onde estão os votos para a Assembleia Nacional – e anuncia o voto, que é depois confirmado pelos restantes elementos da mesa.

Os nomes dos partidos estão escritos num quadro preto e uma rapariga vai fazendo um tracinho, com giz, à frente de cada um.

Do lado de fora da sala, através das duas janelas grandes e da porta, vários populares acotovelam-se para observar e não hesitam em atirar palpites.

“Voto estragado”, anuncia a presidente da mesa.

“É nulo. Menina, escreve nulo mais abaixo, por favor. Aqui há transparência”, afirma um jovem, do exterior. O excesso de ruído perturba a contagem e a presidente ameaça que vai pedir ao agente da polícia para fechar a janela.

A dada altura, a responsável tem dúvida se um voto é válido. Vários dos ‘observadores’ exigem ver o boletim.

“A sociedade civil está aqui para esclarecer”, defende Jocelso, 31 anos, que afirma que não tenciona passar toda a noite aqui, mas garante que quer fica até terminar a contagem.

Pinheiro, 37 anos, é um dos que está à espera dos resultados. “Estamos aqui para fiscalizar para que tudo corra na normalidade”.

Vânia, 30 anos, também vai esperar: “É importante saber quem ganha na nossa circunscrição”, explica.

Já se contam os votos quando surge um eleitor a reclamar. “Isto é uma brincadeira, é uma brincadeira”.

Indignado, explica que esteve mais de uma hora na outra mesa de voto desta assembleia, mas só depois percebeu que deveria ter votado naquela onde já fecharam as urnas. “Deviam abrir uma exceção, tendo em conta a hora a que cheguei”, diz, desanimado.

No exterior, um jovem trouxe um rádio com uma coluna e uma lanterna. “Para ouvir o Benfica [que hoje jogou contra o Futebol Clube do Porto] e para acompanhar o processo eleitoral”, justifica.

“Benfiquista ou portista, hoje o que interessa são as eleições”, diz uma mulher.

Mais de 97 mil eleitores de São Tomé e Príncipe escolhem hoje o futuro primeiro-ministro do país, com Patrice Trovoada a pedir a renovação da maioria absoluta e Jorge Bom Jesus a procurar levar o MLSTP-PSD ao poder.

Os são-tomenses vão eleger os 55 lugares da Assembleia Nacional, as lideranças das seis câmaras distritais da ilha principal e o novo governo regional da ilha do Príncipe.

Publicidade